09 junho 2009

Banheiro feminino

A frase soará machista, mas: vai entender cabeça de mulher! Bem, o fato é que quase nunca leio publicações voltadas inteiramente para o público feminino. Primeiro, porque acho a segregação – Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha – boba e cafona. O que interessa, de verdade, deve estar em algum periódico que não separa as pessoas por gênero, raça ou coisa que o valha. O restante é supérfluo demais para muita atenção. Na minha rude e peculiar opinião, claro.

Ironia do destino à parte, dia desses, esperando minha vez na recepção de um consultório odontológico, peguei para folhar uma revista das badaladíssimas. Na capa, a manchete principal dizia: 50 passos para conquistar um homem no primeiro encontro. Com a licença das damas: putaquipariu. Chamadas assim me deixam possessa, pois põem as mulheres na velha posição de objeto sexual. E a vendagem dos exemplares parece constatar que de lá elas jamais saíram – ou pior ainda: não desejam sair.

Resumidamente, a reportagem era um roteiro comportamental feminino – desde o tipo de perfume que ela deveria usar na ocasião até as frases que o homem gosta de ouvir antes, durante e depois do rala-e-rola. Tudo esquematizado, como uma espécie de sinfonia do Armagedom. Não li todos os tópicos, instigada por uma dúvida cruel: porque tantas mulheres lêem essas revistas? Que só dizem: você é gorda, emagreça!seu cabelo é cacheado, alise!seu marido é um babaca, separe-se!você é frígida, seja um furacão na cama! Será que é tão perigoso para uma adolescente não seguir os mandos e desmandos da Capricho, tal e qual é para uma “mulher feita” não ser refém da Nova?

Algumas frases terroristas não me saíram da cabeça, como: deixe que o parceiro conduza a conversa; homens se assustam com mulheres auto-suficientes. Realmente, não sei de que tipo de homem a revista trata nem o tipo de mulher. Tentei visualizar pessoas reprimidas pela família, religião, ideologia, mas continuei achando tudo bem absurdo até confidenciar minhas impressões para uma amiga próxima que me respondeu, de pronto:

- Ah, eu também li essa matéria. É ótima. E funciona.

Sei não. Estou pensando em procurar outro dentista.

(Original publicado em 04.02.009)

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