09 junho 2009

É como você pensou?

Escutando uma música qualquer, que nem remetia ao assunto, desatinei a pensar agora há pouco: a minha vida é como eu imaginei que fosse? A solução do questionamento é óbvia: não! E me diriam os poetas que a existência não teria a menor graça se pudéssemos prever o porvir. Aceito a hipótese, como manda o bom senso, mas devo admitir que, às vezes, poesia demais cansa.

E porque a vida não é como eu pensei que seria? A alternativa menos dura talvez seja: porque troquei meus planos antigos por outros novinhos em folha. Quando criança, por exemplo, planejei crescer o suficiente e ter uma casa de ‘primeiro andar’ com piscina. Adolescente, acreditei que o primeiro namorado era o amor da minha vida – com direito a ilusões de casório na igreja, filhos, felicidade eterna etc. coisa e tal. Hoje, nenhuma dessas coisas faz sentido para mim; exceto os filhos, que não são para agora.

A segunda, e mais dura alternativa é: a vida não é como imaginei porque eu não consegui realizar muitas das coisas que planejei. E isso não tem relação alguma com estar preparado ou não, pois todo mundo já deve ter se organizado – dando tudo de si, inclusive – para algo que não deu certo. Dizem os otimistas que algumas coisas precisam dar errado para que achemos os caminhos corretos; os realistas, por sua vez, acreditam que há uma probabilidade para tudo; os pessimistas querem nascer de novo e, da próxima vez, com a bunda virada para a lua.

A vida é mesmo muito diferente de tudo o que a imaginação deu forças para que eu pensasse, mas é minha e não vou esperar outra – que talvez nem exista – para correr atrás do velho sonho da realização (pessoal, profissional, o escambau!). Já a existência de vocês, quem sabe, seja o retrato do que tenham pensado há alguns anos atrás. Ou não. Pode ser que estejam no mesmo patamar que eu. Então, desejo que nós todos ainda tenhamos muito tempo para avaliar a real face de nossa vida: leal ou bandida?

(Original publicado em 29.04.009)

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