09 junho 2009

E-D-A-D-U-A-S

Claro que vocês todos já devem ter sentido uma saudade que – não é exatamente esta, mas – parece muito com a que eu sinto agora. Não é saudade daquelas que se mata apertando uns dígitos do telefone nem mandando e-mail. Não é saudade que voa longe quando o contato está online no Messenger e sequer sabemos ainda o melhor a fazer: tomar a iniciativa ou esperar que ele fale primeiro.

Tenho amigas que sentem uma falta danada de certa calça jeans que não cabe mais – e culpam os hormônios, os filhos, o estresse oriundo das facilidades urbanas. Mas sentir falta ainda não é sentir saudade. Eu também sinto falta de coisas impraticáveis, por vezes. De fases que não se pode rebobinar, como uma fita cassete antes de devolver à locadora. Já senti falta da minha primeira professora, porém tenho consciência de que ela não é mais aquela: aposentou-se, tem cabelos brancos, ficou viúva. Não vou chamar isso de saudade, porque acho que é mais falta de um impossível que se estabeleça neste mundo do “tudo possível”.

Mas voltemos a minha saudade, que não me faz um bem, só mal – já que é privilégio das coisas boas passarem a ser ruins quando não existem mais. A saudade que sinto é de um tipo que a lembrança só evidencia; e lembranças não são de pedir licença antes de entrar. Às vezes ela faz com que eu fique fria e, indesviavelmente, fraca a ponto de não suportar o peso de uma lágrima prestes a cair. E não me digam que se rebobina a lágrima que cai. Ah sim, eu fico melodramática e invento coisas sob o efeito da mais pura saudade...

As pessoas que amo estão longe de mim. Isso é saudade. Elas dizem estar bem e eu não sei se é verdade ou meia-verdade. E não sei se elas sentem o mesmo que eu ou vão além de mim uma metade. Talvez suas saudades também lhes tragam rima... e elas peçam por mim ao cara lá de cima.

(Original publicado em 27.03.009)

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