07 junho 2009

Minutos

Sempre ouvi muito falar sobre luzes no final de túneis, e eis que hoje aconteceu algo para me pôr no completo extremo dessa realidade: eu vi um túnel no final da minha luz. Como não acredito na valia de dividir a tristeza com alguém, dividirei a reflexão – o que me parece mais justo, embora possa não ser.

Eu carrego um escapulário – como uma espécie de lembrança familiar – pendurado no pescoço, mas quem convive comigo sabe: não sou religiosa. O que não quer dizer, em absoluto, que não tenha fé ou crença nas minhas coisas; às vezes poucas e mínimas, porém minhas. Gosto, por exemplo, de ler um livreto popular chamado Minutos de Sabedoria, organizado pelo professor Carlos Torres Pastorino. Muitos de vocês devem conhecer.

Pois bem, abrindo meu Minuto agora a pouco – faço isso quase diariamente – a seguinte mensagem surgiu: Deus habita dentro de você! Deixe então que sua bondade se manifeste através dos seus olhos, tornando-os brandos de compreensão, quentes de compaixão, ternos pelo perdão constante a todos... Que nenhum olhar de impaciência ou condenação tolde a beleza de sua vida! Que sua fisionomia irradie contentamento de felicidade, de tal forma que todos os que se aproximarem de você sejam contaminados por seu otimismo! As palavras constam na página 94 do livro.

Diante de um momento triste – ou tenso – é difícil compreender, ou mesmo escutar, o que palavras tão plácidas podem querer dizer. Obedecer ao livrinho simpático não é minha intenção, mesmo porque fazer com que o olhar irradie contentamento e felicidade quando se está num momento de impaciência ou incompreensão deve ser até masoquismo; é para mim. O que não posso é ignorar o sopro importante de reflexão trazido na garupa desta leitura rápida e (im)precisa.

O túnel? Infelizmente (?) foi indesviável, tive de entrar. Ainda não avisto um facho de luz sequer, só escuridão. Mas vou em frente até ela clarear.

(Original publicado em 19.01.009)

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