19 junho 2009

Para não pensar antes de dormir

Sexta-feira, 19 de junho de 2009

Passada a modinha do dia dos namorados – que voltará ano que vem, evidentemente – gostaria de tecer algumas palavras sobre o amor. Talvez, para não perder o costume. Sim, porque eu considero o amor, substantivo, das coisas mais importantes da vida; embora amar, o verbo, ultrapasse os limites do pensável e discutível.

Olha que não sou uma romântica inveterada e tenho até grandes problemas com datas. Escrevo poemas, é verdade, mas não acho que amor, poesia e romantismo andam sempre juntos. O poema, tantas vezes, é cínico, invoca os santos nomes dos mais briosos sentimentos em vão. Palavras escritas, enfim, são todas cheias de interesses e o mais nobre deles é mesmo o alívio. Do escriba – egoísta que é.

Um minuto. Não fui eu que comecei o texto dizendo que falaria de amor? Saí dos trilhos, mas já voltei. A verdade é que não sei amar direito e fico assim, buscando escapatória. É claro que o amor tem um quê de sublime; amar, porém, é humano demais. Era Nietzsche quem dizia que só existe um tipo de amor: o amor-próprio. Segundo o pensador, amar o outro é apenas uma forma do ‘inconsciente’ provocar o bem a nós mesmos. Então, cada vez que olhamos a pessoa amada e temos aquela impagável sensação de completitude é porque estamos verdadeiramente completos: amando o bem que o outro nos causa e não o outro em si. As situações em que cremos num mais forte amor pelo 'alheio' seriam patológicas. Um erro, portanto.

Maluquice, não? Eu hein... deveria ter escutado mais histórias da carochinha. Dormido cedo. Ou continuado a falar sobre palavras: infiéis e cínicas.

O post combina com a música 'Canto de Oxum', na voz de Maria Bethânia. Ouça clicando aqui.

6 comentários:

Deise Anne disse...

Freud já diz isso no seu Mal estar na civilização... a gente só ama no outro aquilo que já ama em nós mesmos...
Será melhor ou pior ter noção do perigo? Às vezes a ingorancia nos livra de muitos males. rsrs.
Beijos,

Isolda.

Rafael Belo disse...

Freud, Nietzsche tinham suas vidas forjadas (ao falarem do assunto) justamente pelo amor temporal e sofrível que viveram... Todos nós parecemos continuamente diante de espelhos carnais e o verbo expressado fica invisível para sentir... Bom texto Is, sempre. Beijos

Deise Anne disse...

Isolda, me conta como você descobriu o meu texto no blog da Marina Lima. Ainda não estou acreditando... rsrs

Cláudia Ramalho disse...

Gostei muito do seu Blog, Isolda. Vou voltar de vez em quando pra saboreá-lo. Parabéns!

Deise Anne disse...

Oi, Isolda! Eu tenho um selo pro seu blog. Antes de te indicar eu não tinha visto, mas vc já tem ele. De qualquer jeito passa lá pra ver, ok?
Beijos.

Ludmila disse...

Isso me esclareceu muita coisa... Vou dormir pensativa.