11 agosto 2009

Láska

Aprendi com o Caio Fernando Abreu – com um livro dele – que amor em tcheco é láska. Abrasileirei a pronúncia porque o meu tcheco não vai nada bem. Aliás, não existe ‘meu’ em se tratando de Tchecoslováquia. Mas, voltando ao láska: achei engraçado. E conveniente. Quem ama, ou amou uma vez na vida, saberá do que estou falando.

Amor é aquilo que machuca depois de muito carinho feito, frases ideais, gostos parecidos, sentimentos... retumbantes. Ou até mesmo antes. Vai dizer que nunca ouviu/sentiu um estrondo quando a pessoa amada chega perto? Bum! Parece que o mundo explodiu, a humanidade entrou em extinção, exceto por dois seres tinhosos que insistiram na aventura ‘vida’ e ficaram por aqui na tentativa de repovoar o Planeta. Para quem ama os pensamentos impossíveis são comuns, porque tudo parece muito capaz de acontecer.

Sofrer é palavra fora do vocabulário. Psiu, não pronuncie. Não escreva. Não leia. Não pense coisas assim. Ah amar, esse eterno estado de contentamento; esse ‘branco’ para as questões difíceis da vida; esse afã de prosperidade e verdade absoluta. Seria bom, quem sabe, um pouco menos de cultura universal nesse momento para que ninguém soubesse do amor – que também é láska, lembra? – mexer com qualquer entendimento.

Afinal, surgirá o desconfortável comparativo disfarçado de grilo: ele me amou ou queria mesmo era me ver láskada? Ela falava a verdade ou só alimentava o desejo de láskar um coração rendido? Mas não é tudo a mesma coisa? Não. No amor tudo é diferente – quantas encarnações serão necessárias para aprender isso? Por via das dúvidas, o melhor a fazer deve ser amar abusivamente antes e deixar o láska para bem depois.

Imagem: João Mota da Costa.

9 comentários:

Rafael Belo disse...

Deixa O Láska para quando acontecer tb. Afinal como é a pronúncia? hehe (risos) Belíssimo post Is. beijos e abraços

Helena Frenzel disse...

Oi Isolda,

legal conhecer mais essa palavra e também ouvir "sua" voz no audio-post! Um abraço fraterno :-) Ah, nesse sentido do seu post -- num bom, claro --, desejo que você se láske! Eu também já me láskei... gostei e continuo gostando :-)

Norma disse...

Olá Isolda, eu sempre achei que de lascar mesmo era desamar...mas vou rver meus nconceitos..ehehe
A próposito: devo responder seus comentários no "909 noites insones" aqui ou lá mesmo?
Outra coisa: nunca comi acarajé, acredita nisso?? rssss
abração!

Deise Anne disse...

Caio Fernando Abreu é maravilhoso falando dessas coisas de amor e desamor. Ele mais que ninguém sabe o que é esse laska aí. Quem não sabe?
Esse laska é universal e particularmente nordestino.

Beijos, Isolda!

julio onofre disse...

Eita laskeira...
kkk

Jamylle Bezerra disse...

Belo post Isolda. Como tudo na vida, amar tem o lado bom e o ruim. Mas vamos combinar que o lado bom é quase sempre infinitamente maior... e pra quem já se ferrou com essa história de amar, não tenho dúvida que restou o aprendizado, muito aprendizado!!!

Beijo Isolda!!!

Isolda Herculano disse...

Oi Norma! Pode responder às perguntas lá no seu blog mesmo. Não se incomode. A você e aos demais visitantes: um beijo enorme e todo o meu carinho. Que bom que gostaram da 'descoberta' da palavrinha nova.

Todo amor que houver nessa vida para vocês também!

Isolda.

Anônimo disse...

ISOLDA,

Amor, se for verdadeiro,
Tem mais miolo que casca.
Pra que o "láska" nunca morra,
Tal como a paixão que enrasca,
O certo é me "láskar" antes,
Depois, "láskar" quem me "láska".

Janine disse...

nada melhor no mundo do que estar laskada!

adorei o texto Isolda!