27 dezembro 2009

Ser feliz e mais nada*?

Não sei se filosofias de botequim caem bem em fins de ano ou em qualquer época, mas quando pensamentos assim me invadem – que fazer? – tenho que escrever algo, por mais besta que possa parecer e sinceramente seja. Na verdade já devo ter discorrido excessivas vezes sobre felicidade, neste blog e na vida, porque ela é dessas coisas que qualquer um passa o tempo todo correndo atrás; também eu.

Há poucos dias um grupo de jangadeiros me fez repensar o significado de ser feliz. O expediente já havia acabado e eles, uns quatro ou cinco, arrumaram uma beira de praia para tomar umas e outras. E pareciam felizes: rindo de frases bobas, fazendo piadas entre si, enchendo e boca, esvaziando-a. Embalados, pois, na felicidade efêmera que todas as drogas oferecem. Fácil ver superficialidade na felicidade dos outros, não? Exatamente aí começaram meus questionamentos.

E cheguei à conclusão óbvia de que la felicidad não existe; existem modelos pré-fabricados e questionáveis a cada instante. Uma pessoa olha a satisfação da outra (pobre, analfabeta, embriagada) e cai na ilusão de que tem mais chances de alcançar a tal felicidade do que ela. A sorte é que o sujeito observado pode devolver o olhar e ver no observador alguém sufocado pelo mercado de trabalho, frustrado nos sonhos que criou e teve de abandonar, demasiadamente lúcido para tanto desconforto etc. A troca de olhares é rápida, então, só dá para desejar jamais ter a sorte do outro e seguir em frente.

Sim, eu sei que é tempo perdido ficar pensando isso. Dizem que são infelizes os que pensam demais. Mas também dizem o contrário, não se deixe enganar em blábláblás. Ou deixe, enfim, caso isso lhe faça feliz de fato.

"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..."
( Mario Quintana )


* Da música Se você pensa, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Imagem: Google Imagens.

4 comentários:

Eduardo Leite disse...

O bom é saber que a felicidade não existe. E se a gente fosse feliz pra sempre? Como seria chato! Não, prefiro a vida real que me dá alguns momentos felizes que o "felizes para sempre" dos contos.
Parabéns, mais uma vez, Isolda. Feliz Natal um pouco atrasado e feliz ano novo!
Beijo.

Clauderlan Vilela disse...

O bom da vida é ter o privilégio de aproveitar os bons momentos. Ter saudade. E vez ou outra reviver sabores que nossa trajetória proporciona.

As vezes precisamos apenas de uma caminhada na beira da praia. Onde podemos deixar nossos pés serem banhados e nos tirar um peso que incomoda.

Refletir é importante. Mas também é importante deixar o sorriso brotar mesmo em tempos difíceis.

E fazendo nossa parte, trabalhando, se divertindo... cegaremos a velhice cheios de histórias para contar.

Acho que o segredo é conviver com o próximo. Receber o sorriso de outra pessoa realmente faz bem.

No mais, a vida passa, a gente aprende, transforma a vida de alguém, evolui e aí se despede com um sorriso no rosto e a alegria de ter vivido.

Grande abraço, Isolda!
Que 2010 seja um ano maravilhoso.
E que o brilho do seu caminhar seja eterno.

Clauderlan Vilela disse...

*chegaremos a velhice cheios de histórias para contar

Sérgio Coutinho disse...

Ô Eduardo, Isoldinha disse que "A" não existe, mas fora dos modelos pré-fabricados todos podemos ser felizes do nosso jeito.

Parabéns, Isolda, pelo belo texto sobre algo tão difícil, como sempre é tortuoso escrever sobre as coisas mais simples. Só posso dizer que concordo.

E fechar com Mário Quintana tão bem pinçado foi ótimo.

Abraço!