17 maio 2010

Recortes de uma realidade distante

De repente você tem saudade de quase tudo o que ficou para trás. E deseja uma máquina daquelas de retornar ao passado, como o enredo do filme bobo que tanto critica. Com uma diferença básica: quer a experiência do hoje, mas não as rugas no canto do olho a denunciar que você não passa de um velho aprendiz.

Você busca a juventude do primeiro beijo, da primeira noite de amor, dos primeiros passos dos filhos menores, o que é natural. E prefere esquecer a traição, o abandono, a rejeição por parte dos que mais lhe valiam – e dos que só queriam a sua mais-valia. Quer fechar os olhos e sentir o cheiro da infância, os barulhos da adolescência e a independência da vida adulta sem déficit. Às vezes você é tolo, reconheça isso!

Os outros não lhe conhecem direito e ainda assim se apaixonam. Você é bonito por fora, está aprendendo outro idioma, quer viajar o mundo. Todos sugam a sua mocidade, desejam a sua virgindade e mais valores sem importância... Perguntam o seu preço e você só se entrega em doação.

Quem são esses homens e essas mulheres que você ama? São nuvens e sonhos que carrega no bolso. Você não comunga, não sonega e não odeia como os cristãos.

Imagem: Google Imagens.

3 comentários:

Rafael Belo disse...

adorei o fim Is! Belo texto mesmo! Quem em algum momento da vida não sentiu saudades quando as coisas eram mais fáceis ... beijos querida bela,

Anônimo disse...

Nossa, fiquei sem fôlego...
Amei...
Katiuscia Malafaia

Eraldo Paulino disse...

Lendo teu post, lembrei de uma banda que eu mesmo vivo dizendo que era bem melhor antigamente, mas que compuzeram tais versos recentemente: "Eu sempre quero mais que ontem/ eu sempre quero mais do que eu poss ter"

(Capital Inicial)

Bjs, Isolda. Arrasou como sempre!