18 julho 2010

O tempo e eu

A vida é um imenso relógio a dizer que não há mais tempo para isso, para aquilo e já tenho 26. Se isso me assusta? Um pouco. “Vinte e seis é mais perto de trinta do que de vinte”, diz uma amiga com filhos, emprego, carro na garagem e roteiro de viagem para as próximas férias. Sei disso tudo, de matemática simples entendo. Ela acredita que quem vive bem sou eu. Eu creio no contrário. E vamos vivendo essa doença que por si só não se cura.

Fico pensando se o futuro da independência – financeira, emocional etc. – é transformar as pessoas num tipo sistemático. Com os itinerários todos gravados em GPS. Com expediente em horário comercial de segunda a sexta-feira, faxinas aos sábados e supermercado aos domingos. E férias vendidas ao patrão. Com orgasmos fingidos e ejaculações precoces. Quando era mais jovem achava isso loucura. Terei envelhecido, então, o bastante? É grave? Vou morrer dessa preocupação? Certamente não, dirá um doutor.

A culpa é dos planos – aponto para dentro procurando um culpado para tudo aquilo o que não foi e jamais será. Quem sabe deveria ter planejado menos. Investido menos na poupança, que rende uma ninharia, e arriscado no supérfluo feliz. Não deveria ter gastado sorrisos com máquinas fotográficas e abraços com quase desconhecidos. Beijo é admissível, mas abraço...

Chegaram os 26 no hiato ente um post antigo e um novo, uma bondade e uma maldade na alma, uma vontade de agarrar e uma de largar, um tudo igual e um tudo diferente, uma saudade insuportável e uma presença vital. E parece até que fazia menos frio quando tinha meus 25 anos e onze meses.

Imagem: Google Imagens.

7 comentários:

Rafael Belo disse...

contradições nos fazem, nos fazemos de contradições... Se tudo está bem, então somos acomodados cômodos de um tmepo a nos empoeirar. PArabéns por mais um inverno rsrs porque é deles que gosto mais, são mais latentes e mais reais.Meu bom selvagem aidna reclama das minhas atitudes, algumas... Por isso faço loucras para não ser cotidiano e claro, assumo minhas culpas e pago meus pecados com a carne dura rs. ótima semana, querida bela.

Eraldo Paulino disse...

Certa vez eu vi o Marcelo Camello falar pra Sandy (?) que o tempo é uma abstração...

Até é, quando acha-se que é. mas quem o acha, de fato?

O fato é que o tempo, tal qual absorvemos desde criança, realmente é determinante em muitas coisas que fazemos ou sonhamos. Teu proporciona a nós mesmos fazer essa viajem pequena e quidistante entre o real e o abstrato do que o tempo nos é: presente, passado, futuro e além...

Bjs!

Clauderlan Vilela disse...

Eita, o tempo... Frequentemente nos pegamos a dizer que ele passa rápido. Eu, aos 25 anos, aproveito os dias da maneira que meu humor me permite e até tenho algumas boas histórias para contar... Mas ainda há muito por descobrir... E sigo... Acredito que o tempo é mais um ingrediente para nos motivar...

Jamylle Bezerra disse...

Sumiu Isolda? Mt trabalho... eu sei... mas não esqueça de nós! Beijos!

Lux disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lux disse...

Isolda,
muito bom o seu blog. Entrei aqui por acaso e gostei! Vc disse que "as vezes te falta viver mais, conhecer o mundo e as coisas do mundo". Vá. Se é que conselho de estranha vale para algo, vá conhecer o mundo e as coisas do mundo, vá realizar seus sonhos. Eu sempre fiz isso e posso dizer que vale a pena! abs Luciana (www.outroblogdalux.blogspot.com.br)

Adriana Cirqueira disse...

Gostei no texto. Me reconheci em alguns sentimentos e entendi bem os demais. É fascinente como as palavras fluem naturalmente quando escrevemos sem as amarras da racionalidade.