27 agosto 2010

(O tempo e eu)²

Às vezes acho que me falta viver mais. Conhecer o mundo e as coisas do mundo. Sair da rotina que me resume a um ser esteriotipado todos os dias: com o mesmo penteado, roupas novas no meio e no final do ano, ônibus lotado e uma imensa vontade de ser eu - e não essa capa que visto todos os dias apenas para pagar as contas de fim de mês.

É claro que canso disso tudo e penso em sair de dentro das mega e mini-frustrações que carrego (ou será que são elas quem me carregam?). E quero viver para sempre numa ilha naturista com amigos e familiares nús e estar nua também - sem bolso para dinheiros e sem dinheiros para assaltos à mão armada. Seria um sonho se não fosse um sonho. Retomo a realidade e estou numa sala branca e fria fazendo hora até que o expediente comece.

No caminho até aqui também vim tendo afãs mais modestos: morar em um sítio é um deles. Acordar cedo para preparar o café, dar comida aos bichos, "barrer o terreiro". Que seria de mim se um dia não tivesse sido apresentada à civilização? A ignorante feliz? Se ignorância é não saber de tudo porque tanta sabedoria não é uma necessidade para quem quer apenas viver bem... que seja! Veja como a partir das definições uma coisa pode ficar mais ou menos bonita. Agora olhe para o lado e conte os sábios infelizes. Então, olhe para dentro e reavalie a vida que deseja ter.

Eu já quis quatro filhos, mas mato sonhos feito um serial killer e alimento neuras como esterelidade, idade avançada, idade precoce e parceiro ideal para a maternidade. E fico sem saber se um dia terei ao menos um deles comigo para enfeitar a vida e os porta-retratos.

Imagem: Google Imagens.

7 comentários:

Ceres disse...

é realmente contraditória essa nossa relação com o tempo.. mas deveriamos perceber que não escolhemos o tempo.. ele que nos escolhe.. quantas coisas acontecem antes e/ou depois do tempo, não é mesmo? :)

Eraldo Paulino disse...

Acho que eu nunca te disse isso, cara Isolda, mas teu blog me traz paz.

Muito boa a tua reflexão. Tens a articulação das grandes pensadoras. Gosto de pensadores homens, mas as pensadoras mulheres - Eliane Brun, Clarice Lispector, por exemplo - trazem um charme peculiar à inteligência.

Bjs, querida!

Rafael Belo disse...

Eu tempo, tempo eu... Com certeza haverá u mretrato e u mriso sábio pelas eternas dúvidas sapientes. beijos querida! Saudades ótima semana

Rodrigo Apolinário disse...

Olá Isolda, quanto tempo!!!
Lembra de mim? Jornalismo, UEPB, Cordel, Intercom em Salvador... Ei, continua maravilhoso o seu blog e o seu dom de caminhar por esse universo jornalístico-literário. Como vai a vida alagoana e o maridão, o jornalismo!!!? Olha, estou precisando falar com vc, me manda o seu e-mail... De vez em quando estou indo com minha noiva em Maceió e poderíamos nos encontrar!!! O meu e-mail é rodrigoapol@gmail.com
Abração

Rodrigo Apolinário
Campina Grande (PB)

Clauderlan Vilela disse...

Ah, o tempo, a vida, os sonhos... É tudo tão subjetivo entre 'ignorantes felizes' e 'sábios infelizes'. É tudo tão próximo e tão distante. É tudo tão contraditório...

Jaquelyne Costa disse...

Olá, Isolda!
É umprazer conhecer uma amiga jornalista inda mais ela sendo filha de quem é, nosso querido Elmar!
Ele me deu o link de seu blog e eu adorei estar por aqui!
Um forte abraço,
Jaquelyne

Valter disse...

Queria eu saber expressar o que senti ao ler seus pensamentos. Obrigado por compartilhar os seus que são meus.