30 novembro 2010

Paixonites literárias

Quem nunca se apaixonou por um livro? Leituras são mesmo apaixonantes e para algumas mulheres, como eu, livros se transformam em verdadeiros amantes com o passar das páginas – uma analogia já feita pelo gênio Clarice Lispector tempos atrás. O problema é que piso mais fundo: tenho mania de me apaixonar por personagens. E paixões, como se sabe, traçam a mesma linha por todas as civilizações: encantamento-sofrimento. Em especial por não durarem para sempre.

Ultimamente tenho vivido uma paixão literária proibida, gostosa como o quê. Trata-se de um sujeito de carne e osso – embora também considere natural cair de amores por um ser “pura ficção”: ambicioso, engraçado, amável, inteligente, um pouco ingênuo e um pouco cruel. Todos os dias quando pego um pedacinho do livro para minha satisfação ele me conquista com uma nova piada, uma história fascinante, uma viagem que leva até lugares que desconheço no mundo; e sou capaz de entrar na narrativa como num transe.

Então me apaixono lhe ouvindo falar, embora não ouça sequer o timbre da sua voz. Pelo modo com que ele se veste: jeans despojado, relógio barato, camiseta estilo rock and roll. Mesmo sendo riquíssimo e já tendo passado dos trinta. A liberdade dele fascina, pois ele se dá o direito de ser livre, apesar das mil e uma responsabilidades e vidas, muitas vidas, que dependem do seu bom tino administrativo para prosseguir confortavelmente. Ele brinca, arruma espaço para brincar. É religioso e por determinado momento esqueço que odeio religiões.

Se este homem não tem um lado ruim? Claro. Talvez tenha muitos até e eu vá descobrindo ao longo da narração que não acabou – estou ciente disto. Mas quem, na vida, só se apaixona pelo que é bonito e límpido? Quantos são os que quando tiram a máscara ainda permanecem lindos? Acho que só os livros.
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Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.

(Clarice Lispector)
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Imagem: auto-retrato.

9 comentários:

O Divã Dellas disse...

A arte de se apaixonar por personagens, é uma prática comum entre os leitores. A leitura torna-se mais apaixonante quando nos identificamos com algum personagem ou quando nos interessamos de maneira diferente por algum deles.
Livros me fazem suspirar, rir, chorar (chorar muito) mergulho em cada história e viajo, intensamente e livremente a cada obra que aprecio. Sidney Sheldon (um dos melhores escritores, na minha modéstia opinião) é um dos mais presente na minha vasta e diversificada lista.
Parabéns, Isolda! Seu blog é incrivel.
Verônica

Richard disse...

Isolda, diga-me logo que livro é este! HAHAHAHA!

Beijos.

Jamylle Bezerra disse...

Quero saber também que livro é esse...

Isolda Herculano disse...

Meninas e meninos! Que bom vocês por aqui.

Verônica, nova visitante, obrigada pelos elogios. Bom dialogar com você!

Richard e Jam: curiosos! E não é que o livro é sobre a família Bin Laden?! Mas, calma. Não me apaixonei pelo Osama não. (Risos) Lá no fim da página tem a referência.

Beijos!

Fabiana disse...

A leitura é algo espetacular, me envolvo tanto que chego a mudar certas atitudes, kkk, é incrível o sentimento que toma conta!!! Vou dar uma checada nesse livro! Bjão!

TFNS disse...

Devo confessar que não são só as mulheres que encontram seus amantes nas páginas de um bom livro. Minha última amante terminou sua história há um mês... Não vejo a hora de encontrar outra

Clauderlan Vilela disse...

Ah, que bom estar por aqui... Levo comigo mais um pouco... Um pouco dessa experiência em doses esporádicas que simplesmente amo... Fica a inspiração.

Rafael Belo disse...

QUal é o livro rsrs? ! EU ando assim com todos os últimos seis livros lidos em novembro e estes que terminei neste primeiros dias dezembrinos rs Quando escritor é bom não há como não se envolver,,,, beijso saudosos Is querida

monica mosqueira disse...

Acho que consegui votar. boa sorte!