20 janeiro 2011

Na fila

Acho besteira essa coisa de fazer terapia, por mais argumentos tenha ouvido em seu favor durante uma vida inteira. As pessoas deveriam, ao invés de se enfurnar em consultórios, sair um pouco mais, pagar as contas, encontrar amigos na rua casualmente, tomar um sorvete na esquina e... frequentar filas de banco. Isso mesmo!

Há alguns dias estava eu numa dessas filas de bancos públicos – enormes, vagarosas, barulhentas – quando duas mulheres começaram a conversar. Uma delas seguramente na casa dos 40 anos, a outra tinha 25, no máximo. Falavam sobre relacionamentos, que é um assunto bom para fila longa. A mais velha parecia ser casada, a mais nova era solteira. Ambas reclamavam da dificuldade, nos dias de hoje, de achar o homem ideal. Tenho cá comigo que a objeção não é recente, pois desde a antiguidade o homem ideal inexiste. Buscá-lo, nessas condições, seria como caçar extraterrestres. Pensei essas coisas todas e permaneci calada, claro; o diálogo não cabia um terceiro elemento.

A mais novinha disse que tem muita mulher para pouco homem no mercado dos desencontros amorosos. Até concordo, apenas não resumiria a problemática a uma questão absolutamente numérica. A mais velha (e mais sábia) contra-argumentou que ruim mesmo é encontrar um homem na praça, colocá-lo no posto de “príncipe encantado” e só depois descobrir que ele não vale nada. Ela falou assim, enfática, como quem tem um sujeito desses em casa. A outra concordou com a cabeça e poucas palavras. Ambas haviam desistido de personificar o amor perfeito, mas nenhuma teve coragem de admitir. Então continuaram a depreciar os homens com todos os adjetivos que encontraram pela frente.

O que senti ali, no papo daquelas jovens senhoras com histórias, ideais e gerações diferentes, foi uma imensa carência, talvez o sentimento que mais una as mulheres em torno de suas vivências e conversas hoje. Solteiras ou comprometidas, elas parecem meninas carentes que buscam, a todo instante, tapar os buracos deixados pelos homens (ou pela falta de um homem) nas suas vidas. De repente percebi que eu já era a próxima da fila.

Imagem: Google Imagens.

2 comentários:

O Divã Dellas disse...

Onde estará o problema?
Os homens, de fato, não prestam ou nós, as mulheres, queremos o que não existe?
É com certeza um assunto para filas loooongas.
Beijos,
Cinthya

monica mosqueira disse...

Muito boa tua crônica
e é assim mesmo..rs