28 janeiro 2011

Sobre decidir para onde ir

Semana passada assisti a um filme chamado Cidade dos Anjos. Ele não é recente e suponho que muitos de vocês tenham visto algumas vezes. Eu mesma já havia assistido trechos em diversas ocasiões, mas na íntegra foi a primeira vez. Para quem não conhece, o enredo é simples: um anjo se apaixona por uma mulher de carne-e-osso e decide se tornar homem para viver humanamente essa paixão. O livre-arbítrio celestial lhe permite a concessão e facilita o fato da musa inspiradora nutrir por ele sentimento igual. Enfim, o cenário ideal para o amor perfeito. Ou não, se você optar por acompanhar a história até o final.

Perfeito ou não, Cidade dos Anjos nos faz refletir sobre as decisões que tomamos na vida: as emoções imediatas que elas podem trazer e as consequecias que indesviavelmente virão, fugindo àquela sensação de controle absoluto que de vez em quando costumamos ter. A verdade é que não controlamos nada, além da nossa própria vontade – se formos fortes o suficiente para isso. Não somos capazes de domar os acontecimentos e a vida segue, soberana e imprevisível.

As escolhas – podem não aparentar, mas – são sempre cruéis conosco, porque escolher uma coisa é abrir mão de muitas outras. Portanto, viver pode ser conviver com o filho que não queríamos ter, mas tivemos; com o emprego que não nos satisfaz, mas lutamos para conseguir; com a fama disso ou daquilo que voluntaria ou involuntariamente criamos etc. Em algum momento da vida fomos nós que optamos por tudo. E como lidar com a frustração de ter sido infeliz na decisão ou até ter sido feliz, mas por muito pouco tempo?

Os otimistas dirão: os erros têm conserto. É animador quando erramos e alguém nos vem dizer algo assim, apesar de nem sempre ser verdadeiro. Às vezes, quando viemos de um lugar muito distante não há como, simplesmente, fazer o caminho de volta. Eis a mensagem principal do filme. É nisso que deveríamos pensar – pelo menos durante alguns segundos – antes de atirar de peito aberto nossa vida sobre a vida de outras pessoas.

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

O Divã Dellas disse...

Um lindo filme, Isolda!
Uma linda trilha sonora!
E as escolhas... Ah, as escolhas!!!
Escolher um caminho sempre implicará em abrir mão de todos os outros.
Sabedoria para todos!
Beijos,
Cinthya

Eraldo Paulino disse...

É um filme leve, que faz a gente ir pensando e sentindo naturalmente.

Teu post me fez lembrar algumas das ótimas sensações que senti ao assistir.

Bj!

delazari disse...

Gosto desse filme..
Gosto do nicolas atuando...mesmo não gostando tanto de filme assim.

ps:acho que sei o dia que vc viu esse filme..rs..meu irmão sabe que eu gosto e me disse que tava passando*rs

marinajsh disse...

É, Isolda, nem sempre tomamos a decisão certa nas nossas escolhas, mas faz parte do processo... Não podemos ter tudo... É fundamental está em sintonia com “O Ser Maior” para nos iluminar sempre...

(Seus textos me liga a você, me deixa mais perto dos seus pensamentos. Saudades, bjs.)

Mima D. disse...

Este filme faz parte de vários momentos da minha vida, e engraçado como seu olhar sobre ele foi diferente do que eu sempre tive.
Para mim este filme mostrou que aquilo que é feito com um propósito, sobretudo quando este propósito vem de dentro de nós, sempre nos ensina algo. E mais: que não importa o quanto dói a perda, a separação, as dores. Vale mais ter vivido intensamente cada uma destas sensações do que passar a eternidade sem saber o significado delas.
Bjs