17 fevereiro 2011

Meus irmãos

Olho para os meus irmãos crescidos e custo acreditar que não são mais dois meninos que eu posso manipular com ares de irmã mais velha, como uma autoridade máxima. Um deles tem barba. Outro toca baixo numa banda. Um é estudante de Física, skatista, tatuador e professor da rede estadual de ensino – tudo junto. Outro quer prestar vestibular no final de ano para odontologia. Os dois ficam, namoram, transam, e devo confessar meu ciúme destes eventos tão corriqueiros na vida de todo mundo.

Como cresceram rápido esses guris... Dia desses eram pequeninos e andavam sobre as minhas costas se eu lhes pedisse massagem. Hoje ultrapassam meu mero um metro e setenta e um. Passo a me sentir pequena perto deles. E isso tem um quê de subversivo. Meus irmãos me ensinam coisas todos os dias. Aprenderam violão. Eu não. E me querem bem. Eu também. Mas não precisam mais da minha mão na deles para atravessar a rua. O que me orgulha, é claro, ao tempo em que me enche de saudosismo.

Eu conheci meus irmãos na barriga da nossa mãe. Senti o cheirinho deles bebês. Ajudei a escolher o nome, a criar, a educar e mesmo distante sempre os amei bem de perto. Caí de porrada com um, dei tapa na cara do outro, levei cusparada e todo tipo de xingamento. Menti que melhor seria nenhum dos dois ter nascido. Um deles puxou meu cabelo até o limite do chão. O outro me furou a cabeça com uma pedrada certeira. Agora já não há problema. Cessamos fogo. E devo confessar: vez em quando bate a vontade de guerrear de novo.

Sofri com as pedras na bexiga do mais velho. Por descuido, desfigurei o dedo do mais novo em um moinho abandonado e quase infarto. Corremos juntos do cinturão. Conversamos sobre como deve ser triste a vida de filho único. Sim, eles são dois corações que tenho batendo fora do peito. Que frase mais piegas, não? Então você não deve ter irmãos.

Imagem: Google Imagens

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9 comentários:

Rafael Belo disse...

é isso dois corações batendo no peito no caso ainda digo tenho seis porque conto meu cunhado e meus três sobrinho rs belo texto querida e os anos vê e sem vão beijos saudosos IS

julio onofre disse...

eu sou o mais novo e só leva "cambão".
Belo texto.

Helena Frenzel disse...

Piegas não, Isolda, isso mesmo é o que significa ter irmãos. Um abraço fraterno!

monica mosqueira disse...

Pois é..
eles crescem(rs)

*mas as vzs o dak ainda consegue
me tirar do sério (rs)abrçs!

Ricardo Marcelino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Marcelino disse...

Antes de acabar de ler lembrei de um trecho de uma música "discussada" por Pedro Bial chamada Filtro Solar (Já deves ter ouvido): "Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro." e, claro, lembrei de meus irmãos também. Boa semana. (Ah, obrigado por me seguir.)

Ludmila disse...

tenho cinco exemplares, com quem troco tapas, beijos e a quem amo incondicionalmente o tempo todo mas chego a odiar por alguns minutos, diariamente. Dos cinco, quatro são mais novos, e uma delas, cinco anos mais jovem, já está mais alta e namoradeira. Acho que entendo perfeitamente o seu saudosismo...

Jamylle Bezerra disse...

Lindo Isolda! Também sinto isso com a minha irmã. Ela me desobedeceu quando falei que não era para crescer!!!

Beijos!!!!

Anônimo disse...

oi Isoolda, como sempre vc nos surpreende com seus pensamentos, lindo seu texto, principalmnete pelo saudosismo ue ele nos desperta.