30 março 2011

A dor de quem sente

Todo mundo sofre. E sofrimento não é coisa que se mede com termômetro. Sofre uma criança que perdeu o bichinho de estimação. Sofre um casal que vê o sentimento, de uma hora para a outra, romper. Sofre a mãe cujo filho vai estudar longe, em outro país. E não perguntem de qual tamanho é a dor que cada um sente. É a dor deles. A ninguém cabe dimensionar.

Mas é do egoísmo humano achar a sua dor sempre maior que a do outro. O que, cá pra nós, é um deboche diante do sofrer alheio. Eu sou dessas que não gosta de dizer que sofre; não porque esteja imune a isso, e sim, porque acredito que a informação é, quase sempre, irrelevante. É claro que diria a uma pessoa que me magoa, o quanto ela incomoda, tentando chegar perto da solução para aquilo, uma tentativa de não sofrer de novo. Nada mais.

“Está de luto, Isolda?”, perguntou hoje um conhecido, enquanto eu passava trajando preto, apesar do calorão que faz aqui. Respondi: “É que todo dia estou de luto ao contrário”, e fui me despedindo com um sorriso característico. No grupinho de quatro pessoas, em que ele se encontrava, todos me acompanharam com o olhar, provavelmente imaginando que sou uma eterna feliz.

É mais ou menos assim que vivo meus dias de sofrimento: sem consternação, sem luto, sem deixar para dar sorrisos quando tudo passar. Talvez por isso zombem do tamanho da minha dor, mesmo ela doendo mortalmente. Que a dor não é dor para quem não a sente.

Imagem: Google Imagens.

2 comentários:

Mima D. disse...

Isolda,
Quero muito aprender a ser assim também...
Foi bom ler e guardar isso dentro de mim para pensar mais todas as vezes que sentir vontade de diminuir a dor alheia, engrandecendo a minha.
Bjs e obrigada por escrever assim...

Clauderlan Vilela disse...

Ouvi uma vez que a dor faz parte da vida... E penso que não seria saudável uma vida sem contratempos.

Esta insistência de alguns em afirmar que sempre há dores maiores me parece uma tentativa desajeitada -- e até mesmo desnecessária -- de ajuda (para o outro ou para si mesmo).

Além do mais, viver a dor é mais um passo. Estranho seria não sentí-la.