07 abril 2011

Coisa de mulher

Não sei se a convicção faz parte da criação que tive ou se essa coisa de ser independente, buscar a independência, veio comigo nos genes, dando contorno ao meu temperamento e personalidade. O fato é que nunca me deixei levar pelas limitações de gênero. Por exemplo, na infância brinquei do que quis, ainda que certas brincadeiras fossem consideradas “de menino”. Vesti o que quis. Comi o que quis – e na quantidade desejada. Ri alto do que me pareceu muito engraçado etc.

Quando tive de escolher uma profissão foi a mesma coisa: decidi por aptidão. Sou jornalista, mas seria, sem constrangimento, tratorista, caso a atividade me trouxesse prazer. Viajaria o mundo a bordo de um navio cargueiro. Comandaria um batalhão de policiais casca-grossa tranquilamente... Aí cresço e tenho que escutar baboseiras do tipo: isso não é coisa de mulher! Não é expressão para mulher dizer! Não é jeito de mulher sentar! Não é função de mulher desempenhar! É tanto blábláblá que corro o dedo no calendário só para confirmar que já saí do século passado. Ufa: saí. Algumas pessoas continuam por lá.

Sou um tipo livre e me orgulho disso. Nem por isso espero que os outros tenham o mesmo estilo de vida, a não ser que eles desejem profundamente. Acho que mulher pode contar piada de sexo, pode fumar, pode sair à noite com as amigas, pode vestir bermudão jeans, pode beber até cair, pode bater na cara do marido, pode ter outra mulher, pode xingar. Pode tudo, desde que esteja disposta a enfrentar as consequencias que para tudo vêm.

Eu gosto de ser mulher, com todas as peculiaridades, as excentricidades. Não acredito em exclusividade feminina ou masculina para nada nem levanto bandeiras. Posso estar na ponta de um salto alto ou no futebol do final de semana entre amigos. Mas sempre sem reducionismo.

Imagem: Google Imagens.

10 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, você é o tipo de mulher que faz toda a diferença.

Anny Rochelly disse...

Lindo texto! Me identifiquei muito...

marinajsh disse...

Essa é a Isolda que conheço! O texto é bem original.
Na minha concepção, tudo é questão de evolução e eu não cheguei a este nível ainda, talvez daqui a umas três reencarnações, quem sabe. Não tenho esta visão de mundo, vejo as coisas com outros conceitos, não sei se tenho medo de sofrer conseqüências, de enfrentar preconceitos da sociedade ou se criei conceitos devido à educação que tive no período do desenvolvimento da minha personalidade, pois somos de geração diferente, só sei viver com limites, buscando conhecer sempre mais o outro, o espaço, mas com limites. Ainda separo o que do homem e o da mulher, se tento fazer algo além me sinto ridícula, eu mesma me condeno. Admiro muito quem fala baixo, quem senta com uma postura “correta” etc., etc. Não sei se assim deixo de viver intensamente, mas busco ser feliz. A admiro muito e respeito seus conceitos, você sabe. Bjs.

Anônimo disse...

Isolda,

Teus pés não largam do piso,
Tua cabeça é correta,
Ninguém te tira a linha,
És realmente completa.
Por isso, um abraço ao longe
Deste pequeno poeta.

Dedé Monteiro

Fabiana disse...

Isolda, com certeza cada um é cada um. Mas acho que a mulher é super diferente. Eu realmente não acho "legal" algumas atitudes de certas mulheres, e não tenho preconceito não, é apenas o que eu acho. Creio que a mulher é mais delicada, além de ser muito mais forte que o homem. Mas acho que a valorização feminina tem que começar em cada uma de nós, com isso não tô falando que certos atos a desvalorizem, mas com certeza não acho que seja correto. Uma mulher que fala bem, sabe se expressar sem gírias ou palavrões, e sim com inteligência, uma mulher que sabe como se portar corretamente, é bem mais feminino e gracioso, além de ser charmoso, rsrs. Devemos sim fazer o que temos vontade, mas as vezes podemos nos arrepender depois. Não é por causa disso que vivo menos intensamente...

Bjs!!!

Helena Frenzel disse...

Oi Isolda, amei este texto! Parabéns pela coragem de ser o que é, independente de gênero! Um abraço fraterno.

Isis disse...

Perfeito. Era tudo que eu diria se tivesse um blog e, somente se, escrevesse como vc...rs

monica mosqueira disse...

ARRASOU Isolda!

Não é o gosto pelo vestir,a profissão, o modo de sentar etc etc que faz de alguém mais ou menos mulher.

E cá pra nós,tem dia que o bom mesmo é pisar no chão. Descer do salto. No bom sentido é claro. [rs]

monica mosqueira disse...

Gostaria que vc lesse
o meu post mais atual no

http://delazari.zip.net

abrçs literários e poéticoS!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Foi um prazer ler este seu ultimo
post.
Um abraço
Irene