14 abril 2011

O passo errado

Eu já amei mil vezes pessoas erradas. É uma hipérbole, claro, mas poderia não ser porque se há neste mundo algo inesgotável é a capacidade de amar. Ainda bem! Embora a tendência da estação seja o amor eterno dos romances que acabam com todos felizes para sempre. Acho que isso já deveria ter saído de moda. Ou, quem sabe, saiu por algum tempo antes de retornar ao cenário atual – como essas calças jeans de cintura alta que meninas moderníssimas desfilam por aí nos corredores dos shoppings lotados.

Amar errado deveria ser mais um item na coleção de falhas humanas e passar quase despercebido, sem precisar de traumas ou dramas maiores. O primeiro sinal de que os amores errados têm um lado bom é este: amou-se. A pessoa se deu a chance de amar a outra por algum tempo, que deve ter tido seus instantes de maravilha. Enquanto escrevo isso meus olhos brilham e parece que me arremessam num baú de memórias. Amei errado um professor de História. Amei errado um pastor evangélico. Amei errado um homem mais velho e um mais novo do que eu. Amei, amei, amei. Hoje sei dos erros no percurso, porém, enquanto amava, não precisava me apegar a detalhes.

Quando o amor acaba – no momento exato – parece até que melhor seria se nada tivesse acontecido. Engodo, enganação. Viveria aquilo novamente se preciso fosse, não entendo a dificuldade em assumir isso depois. Para viver grandes amores, que acabaram (sim, senhora!), eu aguentei o peso do mundo nas costas, como um burro de carga. Sofri. Tive noites de tormenta. E, só no final de tudo, entendi: era mesmo para dar errado. Senão, como poderia viver o outro amor que ainda estava por vir e eu nem sabia?

Como um prêmio, chega um dia em que se começa a acertar no amor. Ufa! O amadurecimento traz isso. O aprendizado embutido em cada erro cometido também. Não tem receita, data marcada nem pessoa certa. É mais um entendimento da natureza, com suas surpresas e sutilezas.

Imagem: Google Imagens.

9 comentários:

Ludmila disse...

Acho que é amando errado que a gente chega num amor não tão errado assim. E são esses erros que são os molhos da nossa história. Esculpem nosso coração, deixam-nos ensinadas, não com a capacidade de prever o que há de vir, mas com aquele ar de quem já sabe o que pode acontecer...

vamos errando enquanto o tempo nos deixar.

Helena Frenzel disse...

Learning by doing... Acho que viver é assim, o que inclui amar, deixar-se amar e educar filhos. Bela crônica, Isolda. Um abraço fraterno.

Rafael Belo disse...

Nossa Amor certo é feito de amores errados ou seria um pecado viver desde sempre o acerto! Que belo querida e viva nossos erros e o que aprendemos com eles. Saudades ótimo fim de semana

marinajsh disse...

Que belo texto!!!
bjs mil.

monica mosqueira disse...

NosSa!
Tem texto aki (a maioria)parece que vc mergulhou na minha mente antes de escrever!rs

Um grande abrço poético!

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto!!!
Amei TODA a verdade descrita nele. De fato amamos os tantos errados ao longo de nossa história, qucom os nossos delíciosos erros nos preparamos para quem sabe o tão sonhada pessoa certa!
Ana Rachel
@kekanobre

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto!!!
Amei TODA a verdade descrita nele. De fato amamos os tantos os errados ao longo de nossa história, com os nossos delíciosos erros nos preparamos para quem sabe, a tão sonhada pessoa certa!
Ana Rachel
@kekanobre

Nayara Borato disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog somesentido. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

http://narroterapia.blogspot.com/

Anônimo disse...

Admiro a simplicidade com que escreve um assunto um tanto quanto delicado: amores errados. Podemos até errar nos destinatários de nosso amor, mas jamais erramos em amar. Com você escrevendo desse jeito, até agradeço por tudo que passei e aguardo esse tal do amadurecimento trazer o amor certo. Por favor, pede para ele não demorar!!

Belo texto, bela escritora!!!