26 maio 2011

Morar junto

Alguns casais amigos já me confidenciaram uma vontade enorme de morar junto, como se o ato fosse um experimento entre o namoro e o casamento de fato. De certo modo, concordo que seja uma experimentação, embora também possa olhar com os mesmos olhos para união estável e casório sem pestanejar. Tanto faz.

Coincidência ou não, nos últimos dias, três pessoas perguntaram, assim, diretamente, como é dividir a vida com o outro sob o mesmo teto, sem interferência (direta) da família, sem filhos etc. Uma espécie de ideal para um momento do casal. Decidir as coisas a dois, andar pelado no meio da casa, dormir abraçadinho com o par, vê-lo acordar, observá-lo dormindo... (Não sei se acontece com todo mundo, mas tenho a impressão de que amo muito mais a pessoa quando a observo dormir.) E essas coisas todas são reais e estão ao alcance de quem mora junto, como eu.

Casais que convivem muito – se vêem ou dormem na mesma cama algumas vezes por semana – costumam se sentir praticamente casados. “É como se nós morássemos juntos”, disse uma amiga hoje. Parece, mas não é. Digo isso com a experiência de quem já dividiu, ao mesmo tempo, o apartamento com namorado, amigos e amigas – na época da faculdade. Um mundo encantado onde os pais depositam o dinheiro das despesas no começo do mês, todos os finais de semana são de festa e quando um não está a fim de olhar para a cara do outro pode se trancar no quarto e só sair amanhã.

Morar com o outro, e assumir as responsabilidades deste tipo de relacionamento, é ter orçamento familiar (água, energia, gás, internet, TV, plano de saúde...), cuidar de reparos da casa (desde o cadeado emperrado do portão ao reboco da parede que está desabando), decidir junto, ceder, alimentar os animais (enquanto os filhos ainda não existem), chegar muito perto dos defeitos do outro (e não ter onde enfiar meus defeitos mais escondidos). É sustentar o companheiro que está caindo e confiar nele também como sustentáculo. É enfrentar a cobrança social de gente que torce o nariz porque você não é casada no papel nem tem as bênçãos de Deus e ainda perder tempo mandando esse povo todo à merda. Pelo menos é a minha maneira de ver e viver isso.

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

Ideia² disse...

Falei isso no nosso "primeiro" encontro, e repito :
Seu blog é uma inspiração para mim.
Vou morar junto com o namorado, ano que vem. Apesar de ser uma atitude pensanda, é meio que impulso.
Nossa casa irá demorar uns bons ano pra ser tornar real, e tivemos a possibilidade de morar em uma casa da familia...
Mas apesar de querer muito, de não suportar mais me despedir dele, de querer dormir juntinho, andar pelado e ter nossas propria intimidade, me sinto tão menina ainda pra isso.
Até lá terei 23 anos, e nenhuma experiência com a vida. Você sair lirteralmente da casa dos meus pais para casar.
Pq pra mim é casamento. Quando se envolve compromisso financeiro é casamento. Namoro não envolve contas rachadas, há não ser as de restaurantes e etc...
Enfim, do querendo ir pela aventura, mas tô com medo.
Adorei seu texto, e acho que ele vai me ajudar na decisão!!

http://ideiaoquadrado.blogspot.com

Beijos!!
@WelenMedeiros

Jaqueline Silva disse...

Que lindo é texto, é bem isso mesmo, um morar junto apenas, com uma pessoa que você pode agir simplesmente do seu jeito, fazer o que quiser e muita responsabilidade tbm. lindo o texto isolda, parabéns!

TFNS disse...

Doido pra ver alimentarem os filhos

Marise Bender disse...

Oba! Tem texto da Isolda essa semana! Eu curto muito. Essa, Isolda, é uma experiência pela qual não passei. Fui casadíssima e agora sou separadíssima. Quem sabe um dia vivo uma relação assim, não é mesmo?
Uma beijoca.

Helena Frenzel disse...

Oi, Isolda, não vejo diferença entre viver junto estando ou não oficialmente casado. Aiás, pras bandas de cá isso é muito natural: completados os dezoito, hora de dar adeus ao ninho dos país e de assumir as responsabilidades da vida, só ou acompanhado. E quando a cria não quer deixar o lar (caso raro), os país dão um jeitinho de incentivar, tudo em nome do crescimento que só uma vida independente traz. O chamado test-drive pode ser muito útil mesmo antes de se dar passos mais largos, como ter filhos, por exemplo. É isso! Um abraço fraterno.