11 junho 2011

Eduardos e Mônicas

Acho que quase todo mundo da minha geração (nascidos nos anos oitenta) conhece a música Eduardo e Mônica, do Renato Russo. A letra fala do amor entre dois jovens, mas só se torna peculiar ao dar evidência as diferenças que ao mesmo tempo afastam e unem o casal. “Ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês”, diz um dos trechos.

Pois bem, a composição, sem querer (querendo), conta a história de muitos casais da vida real que veem sua relação baseada nas divergências, algumas delas monstruosas. Eu acho bonito quando vejo pares afinados: gostam dos mesmos cantores, fazem com prazer os mesmos programas, têm preferência pelo mesmo sabor de pizza, sorvete, bolo etc. Fico pensando como deve ser mais fácil viver assim.

Por outro lado sou atraída, como um imã, para as diferenças e isso reflete nos meus relacionamentos. Nunca estive com alguém muito igual a mim. Azar ou sorte, sou uma jornalista que se apaixonou por um estudante de medicina (se bem que quando a paixão surgiu, era estudante de química industrial). Ele é cearense. Eu sou baiana. Ele não gosta de verduras e frutas. Eu adoro ambas. Ele é quatro anos mais novo. E eu tenho alguns centímetros a mais. Ele quer morar no interior. Eu sou chegada numa capital. Ele faz francês. Eu faço inglês. Ele é isso. Eu sou aquilo. Somos meio Eduardo e Mônica – mas quem não é?

A convivência – nem precisa a ciência provar – tem o poder de deixar as pessoas meio parecidas e isso deve tornar mais felizes os relacionamentos duradouros. Nesses seis anos de vida em dupla, aprendi, com meu parceiro, a ser mais prudente com a vida. Ele aprendeu, comigo, a gostar de animais de estimação. Eu hoje sei dormir na rede e já caio no sono com a televisão ligada. Ele tenta comer macarrão. É, talvez seja especialidade do amor fazer o meu oposto caber certinho no oposto do outro.

Foto: Julio e eu (auto-retrato).
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Para quem não viu ainda, e para quem quer rever: Eduardo e Mônica – O filme. São quatro minutinhos que valem à pena.

A história de amor mais cantada do Brasil virou filme.
Direção: Nando Olival
Produção: O2 Filmes / Criação: Agência Africa /
Realização: Vivo

7 comentários:

Eraldo Paulino disse...

Eu vi o vídeo e me apaixonei. Depois fiquei achando que era plágio devido a outro vídeo que rolou há dez anos. Depois comecei a não achar mais.

Enfim, não há dúvida que esse vídeo, pra quem ama Legião, foi de muita relevância na última semana.

Bjs!

Anônimo disse...

Eu amei o vídeo e seu texto caiu bem. Ótima sacada Isoldita...

Deisy Nascimento

TFNS disse...

Adorei, Mônica! Você e o Eduardo (des)combinam muito bem...

Julia A. disse...

Eu já havia me encontrado na música. Poucos dias atrás me encontrei no filme. E agora me encontro novamente nas suas palavras. De alguém que tem um oposto cabendo certinho no coração (nem preciso dizer que amei essa última frase)! Abração

Anônimo disse...

Como é bom este espaço!!! Isolda, aqui eu me leio e releio várias vezes a situleza de discrever a realidade de sí próprio e dos próximos com tamanha levesa é um dom que te foi dado por Deus bjusss
Dany Azevedo

Rafael Belo disse...

Por isso estava saudoso dos seus deliciosos textos. Eu, Eduardo rs e minah futura esposa, Mônica rsrsrsrs somos bem opostos e bem intensos e o respeito e a confiança nos faz aprender mais a cada dia que mais nos amamos! Que bom voltar aqui. beijos saudosa IS.

marinajsh disse...

Ai! Que lindo!!!
Bjs.