28 agosto 2011

Outro lugar

Para fugir do estresse eu fugi da cidade. Não sei se existe coisa mais século vinte e um que essa; o câncer, talvez. Meus altos níveis de irritação, paranoia, descontentamento etc. me matariam semana que vem, então, só resolvi dar uma chance à minha tranquilidade que, enfim, acomodou-se em mim. Até quando não sei.

A verdade é que esses dias enfiada no mato – montando cavalos, tangendo ovelhas, jogando milho para as galinhas – foram capazes de me doar uma sensação de quase-paz que eu não sentia faz algum tempo. Cheguei a questionar a vida na cidade grande, mesmo Maceió não sendo uma das maiores capitais e ainda que eu não saiba por quantos anos ainda irei me manter por aqui.

É claro que muitas pequenas cidades estão caóticas também. Diferente do que pensam uns e outros, não chegou ao interior apenas a energia elétrica. Chegaram a droga, a violência, as mazelas que andam na velocidade da luz. E isso me incomoda toda vez que lembro que os meus pais tiveram a oportunidade de criar os filhos em um ambiente que possivelmente não vou conseguir criar os meus. Era a época de confiar em vizinhos. Hoje, um monte de gente não sabe o nome de quem mora ao lado. E nem quer saber.

Por outro lado, cidade grande é lugar de facilidades: cinemas, shoppings, restaurantes, shows, teatro. E quando penso nessas coisas todas - que gosto por serem puramente prazerosas ou providenciais - vejo que preciso mudar meus conceitos de felicidade para poder ser feliz. Em Passo do Camaragibe ou em Paris.

Imagem: povoado qualquer na beira da estrada. Arquivo pessoal.

4 comentários:

TFNS disse...

Exôdo urbano, câncer ou a famosíssima depressão. O século de 21 é realmente um desafio pra quem quer "viver". Driblar essas questões com tal simplicidade é uma bela forma de buscar a felicidade.
Parabéns ao casal pela sacada. Parabéns a você pelo texto

marinajsh disse...

Olá Isolda,
Que Belo texto!
Felicidade!!! o que todos buscamos, "Ser feliz"

Conceito de felicidade é muito relativo, mas me aproximo do que diz que a felicidade está nas coisas mais simples. Caminhamos sempre, não voltamos, não existe retrocesso na vida e daí é continuar buscando realizar as mínimas coisas, ajudar ao próximo nas mínimas coisas, como por exemplo, uma informação ao passar na rua. Eu por exemplo, fico muito feliz em poder ajudar alguém no que está ao meu alcance, não precisa tanto esforço assim, agente vai fazendo um pouquinho aqui outro pouquinho ali... de forma que nos sintamos bem, em paz de forma que possa amenizar outras questões que não conseguimos atingir.
Bjs querida.

Anônimo disse...

Isoldinha, meu anjo. Preciso ir pra outro lugar também, pois atualmente sofro dos mesmos problemas que os seus: intolerância, irritação, entre outros. Descansar e fazer coisas que prazerosas, costumeiramente não fazemos, pode nos levar a paz de espírito!

Deisy Nascimento

Rafael Belo disse...

Há de se unir os dois de alguma forma, mas oque quis dizer com : "Não sei se existe coisa mais século vinte e um que essa; o câncer" bjs querida saudades