18 outubro 2011

Penso, logo questiono*

Acho que quem me é bem próximo já deve ter ouvido o comentário: eu não acredito naquilo que não posso questionar. A isso atribuo minha dificuldade de acreditar em deus – pelo menos no deus bíblico ou de outros livros sagrados. Nesse deus dogmático e até impenetrável eu não acredito. Mas consigo sentir a presença divina em toda manifestação do bem que recebo ou realizo. Deus, para mim, é uma atitude boa, uma benfeitoria da natureza, um coração puro de criança, o sorriso de um sofredor, a sabedoria de um velho.

Dessa maneira, não encaro o ato de questionar como estar correta no meu ponto de vista; não é querer impor uma opinião nem acreditar que as pessoas sabem menos do que eu. Nada disso. É meu confrontamento, particular, com as verdades jogadas goela abaixo todos os dias – pelas outras pessoas, pela mídia, pelas crenças gerais – para que se engula. Pode parecer arrogância, e é apenas um exercício mental, além de crítico.

Desde pequena ouço dizerem que não se deve discutir ideias com pessoas mais velhas, com um grau hierárquico maior que o meu, com um privilegiado etc. Jamais me curvei a isso – o que foi considerado uma ousadia na infância e um ímpeto na adolescência. Agora, a culpa deve ser da minha juventude de vinte e tantos anos. As pessoas que eu questiono esperam (ansiosas, parece-me) que eu envelheça logo para entender um pouco mais sobre as coisas que são como são. Do contrário, devo me tornar uma velha chata, encrenqueira, teimosa.

Naturalmente, não sei como chegarei à velhice ou se chegarei lá. Espero que sim, se ancorada numa mente sã e num corpo compatível. Em outro caso, não me interessa envelhecer. Também não se eu tiver perdido a capacidade de questionar, de opor, de duvidar do estabelecido – até quando ele estiver com a razão e, aí, puder provar que estou equivocada, para que eu aprenda com um erro meu.

Imagem: Google Imagens.

2 comentários:

Marise Bender disse...

Querida.
Questionar é o que há. Do contrário, de que nos valeria o pensamento?
Bjs da Serra Fluminense.

Katiuscia disse...

Interessante é que lendo este texto agora, lembrei de algo que ocorreu ontem no Lar Sto Antônio de Pádua. Em um momento um dos internos te perguntou: "de qual igreja você é?" E eu fiquei pensando o que você responderia... Nem sei se vc realmente frequenta a que falou, mas fiquei feliz em ouvir o que disse, porque, naquele momento e para aquela pessoa, foi a resposta certa.
Abraço! Feliz Ano Novo!