07 outubro 2011

Por que não posso ser livre


Quando eu era adolescente, e achava a vida um tédio, eu era livre. E do alto do muro da minha casa – bem, geralmente, da casa dos outros – eu via as pessoas correndo feito umas loucas atrás de uma liberdade que acreditavam ser a felicidade em si. Um engodo daqueles! Ser livre nunca foi ser feliz. Nem será. A felicidade está mais amarrada, a tudo, do que aparenta.

Ser feliz é como abrir espaço para a existência do outro. Pode ser um irmão, um amigo, um parente, um ídolo. Mas geralmente é um amor de carne e osso, e um filho. Ou mais filhos e mais amores, tanto faz. E não há nada que talhe mais a liberdade do que a maternidade e a monogamia. Ser mãe é nunca mais ser livre. Ouvi isso um dia desses, e achei a mais cabida explicação. Parece poesia popular.

Eu já fui livre e infeliz, não troco mais essa bola. Eu podia sair para abraçar o mundo e só voltar no ano que vem sem dar explicações. Podia fumar, beber o que quisesse. Podia namorar o namorado das outras sem culpa. E não entendia quando alguém desejava aquela vida para si. O mundo e sua gente maluca...

Hoje vivo assim: atada a tudo o que gosto, como um encosto. Não sei se isso é natural. Casinha, bichinhos de estimação, maridinho, filhinhos. Sempre achei muito deprê essa realidade que agora, se não me faz completamente feliz – porque jamais consegui ser completa – parece que me aponta o caminho. É uma vidinha trancada a chave e cadeado, mas com sorrisos nos lábios.

Imagem: Google Imagens.
_____________________________

Queridos, o Blog da Isolda esteve infectado por um vírus presente, provavelmente, em um dos elementos do seu layout. Infelizmente, perdi minha lista de favoritos. Favor, deixar um comentário com o link do seu blog para que eu readicione. Obrigada.

2 comentários:

Lula Castello Branco disse...

Que belo, companheira. Que belo (com sorriso nos lábios).

Meu endereço: http://lulacastellobranco.blogspot.com/

Nine disse...

Que lindo seu texto. Mas, ainda não sei dizer sobre a felicidade... Ainda tenho a impressão de que ela não é real...
Mas, é meu niilismo em alta!

um abraço.

Nine