06 fevereiro 2012

O que nós não pensamos antes de magoar o outro


Antes de magoar a pessoa que está ao nosso lado – aquela que, sempre, abrimos a boca para chamar de "meu amor" – nunca pensamos que pode ser a última chance, que ela pode não suportar mais, que pode ir embora. Especialmente quando essa pessoa já nos perdoou algumas vezes, parecendo querer nos convencer de que podemos errar mais um pouquinho. Não pensamos que o adeus existe, que as histórias a dois mais incríveis chegam ao fim por doses homeopáticas de bobagens.

Somos assim: egoístas. Gastamos um tempo precioso olhando nosso umbigo, medindo nossa capacidade e pondo em prática nossas terríveis vontades. Mas somos incapazes de pensar um tanto mais no outro antes de machucá-lo. Ou porque o outro não importa ou porque nunca paramos para avaliar sua importância em nossas vidas.

Aí esquecemos que o outro é também uma outra vida. Que ele pode se entregar a um romance melhor e mais atraente, que ele guarda passagens que desconhecemos. Não pensamos que o outro pode estar fazendo um esforço tremendo para ser feliz ao nosso lado, diante das demais opções. Pensamos que somos tudo para o outro e que o outro nunca teve nada bom assim. O outro, com razão, deve achar que somos tolos.

O que não pensamos antes de magoar o outro é que, no final das contas, poderemos ser os mais magoados. E que o outro, quase nunca, tem medo de nós.

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

J. Neto disse...

Este texto é muito bom. Poderia ser uma resposta aquela pergunta: porque somos tão egóistas?

Abraço Isolda! :)

Mima D. disse...

Isolda,
As tais doses homeopáticas de bobagens são exatamente como venenos que aplicamos pouco a pouco e que não matam a planta de uma vez, mas que termina por matá-la um dia...
Seu post me inspirou a pensar ainda mais sobre muita coisa. Obrigada...
Bjs

Marise Bender disse...

Querida Isolda.

Como vai?

Li seu texto. Adorei. "Não pensamos que o adeus existe, que as histórias a dois mais incríveis chegam ao fim por doses homeopáticas de bobagens." Graande verdade, moça. Gota a gota, sílaba a sílaba (lembrei-me de uma sobreposição de metáforas em um poema de Cassiano Ricardo que nada tem a ver com isso), mas voltando... gota a gota vamos, por vezes, matando o sentimento do outro e o outro o nosso também. E, vezes, não nos apercebemos disso.

Seu texto está em sintonia com a minha maneira de pensar a vida. E é ótimo quando alguém escreve tão bem, algo que sempre sentimos, não? Escrever não é mágico? Acho o máximo o modo como usa sua varinha de condão.

Abraço carinhoso e saudades dos papos.

uma Mulher disse...

Gostei bastante! E vou seguir :)

E é por já ter sentido na pele a mágua que concordo plenamente com as suas palavras..

Bom dia e bom fim de semana.

Aqui deixo os meus blogs se quiser espreitar..

http://balancacomgosto.blogspot.com/
http://manualprahomens.blogspot.com/

Sarah disse...

Adorei esse texto também. Disse tudo! Tô vendo que vou gostar bastante do teu blog, rs...
bjos!