22 junho 2012

Na poeira do tempo

Google Imagens
Disse Mario Quintana: “o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”. Não vou contrapor um gênio, mas pode ser que eu queira ir mais fundo. Claro que Quintana não é raso, ele é uma profundidade só. Por menos que fale; e quando parece miudinho. Então: quero demorar mais no assunto, ser chata.

E questionar: é o passado que retorna em papel presente? Ou são as pessoas que vivem dando um jeito de cutucá-lo, – não o deixando em paz – assim, como quem não quer nada? Digo isso porque em mim bate, de repente, uma vontade enorme de rever passados. Vontade besta, eu sei. O passado está lá: feito nas coisas que fiz e desfeito nas coisas que deixei passar. Não mudará nunca mais. Repito: sei disso. E futuco.

Mas se futuco é sabendo que ele não poderá me dar além de um dedo na ferida que não sarou ou de um sorriso vão por quem não sou mais. Apesar disso, o passado – com seus príncipes encantados e bruxas endemoniadas – mexe comigo. Revisito-o, de quando em quando, numa fotografia, numa página velha, num pensamento guardado comigo como um segredo.

Aonde vou com tudo isso? É fácil perceber: a lugar algum. Passados não dão passos à frente, não deixam as vidas criarem expectativas novas. São como uma plantinha bonita e quase inofensiva que ninguém deveria mais aguar.

2 comentários:

jeremias pereira disse...

Ontem estava vendo um filme anoite, "O filme dos espíritos", e como sempre saio destroçado desses filmes, pois sempre me faz lembras das perdas passadas.Quando os sentimentos saem a flor da pele as frases também saem, a final no filme essa veio em minha cabeça pensante e inquieta:
"Não deixe o passado segar sua visão de presente e futuro." .

Anônimo disse...

O curioso, Isolda, é que os saudosistas costumam falar do passado atribuindo a ele mais cores, mais intensidades do que talvez tenha sido realmente...
Entre as inúmeras razões para se criar estas narrativas, talvez esteja o fato que estamos sempre agregando mais responsabilidades às nossas vidas, do que tínhamos ontem. É certo que sempre temos algum grau de responsabilidade desde a infância, com a escola, mas, quando adultos, somammos: estudo, trabalho, competitividade, contas a pagar etc. Ainda assim, penso que o importante é manter atualizada uma perspectiva lúdica em relação a vida presente. Do contrário não seremos apenas saudosistas (quando bem dosado é até bom! Quem não gosta de lembrar coisas boas e engraçadas de sua trajetória pessoal?) mas também infelizes.

Abraços
Glaydson