30 agosto 2012

A carta

Google Imagens

Essa palavra, carta, está virando peça de antiquário. O hábito de escrevê-las, então, deve ser das coisas mais antigas que se pode falar por aí. Nem se fala. E apesar da evolução na velocidade da luz, e dos e-mails que chegam em questão de um enter, preciso confessar a saudade que eu tenho das cartinhas que escrevia e – ah... – das que recebia (e podia reler mil vezes). Por que, no fundo, acho que escrevia mais pela possibilidade do retorno.

Ouvi ontem um comentário sobre o assunto na rádio CBN e impossível não voltar no tempo. O tempo não volta – que bobagem! Eu sei. Mas as cartas eram capazes, sim, de congelá-lo. Não como as fotografias, que imortalizam a imagem. Era como congelar sentimentos no momento exato em que eles nasciam ou morriam. Meio mágico até, dá vontade de chorar.

As mensagens eletrônicas são instantâneas, eficazes, modernas, invejáveis de tão completas. Ou vai depender do que é completo para quem lê. Cartas demoravam uma eternidade quando se aguardava por elas. Só que quando chegavam, traziam qualquer coisa do remetente. Qualquer coisa não: muita coisa! Um cheiro, um toque, uma dedicação quase artesanal e a caligrafia. A caligrafia! Outro item de museu. Quem ainda hoje conhece os amigos pela letra? Eu conhecia os meus.

Tenho um baú de cartas das amizades, dos namoricos, faço questão de guardar. Há muito não revisito aquilo, é meu cemiteriozinho de um tempo bom que não recebe flores habituais e descansa em paz.

5 comentários:

João Paulo da Silva disse...

Sublime...

João

Helena Frenzel disse...

Peças de museu: cartas, amostras de caligrafia... E pensar que a geração mais nova, a novíssima, não sabe o que é enviar ou receber uma carta é algo bastante singular, principalmente nesses nossos dias tão corridos de 'milhões' de amigos e redes sociais. Dá até vontade de criar o movimento Carta: envio e recebo! E você? Um abraço fraterno, Isolda, tudo de bom pra você e o bb. Inté!

Rafael Belo disse...

nosso museu da memória, nosso museu do sentimento, nosso eu passado tão presente em nós, ainda releio algumas perdidas rs saudades, letras, cheiros, momentos. Ótimo texto querida Is! que bom poder ler-te beijos e ótimo fim de semana.

Jamylle Bezerra disse...

Também sinto falta desse tempo. Tinha caixas e mais caixas de cartas... todas das minhas "correspondentes", como eram chamadas as atuais "amizades virtuais". Ô tempo bom!!! O prazer de olhar na caixa dos correios e encontrar uma cartinha era indescritível. Hj é tudo mais fácil... não há mais a "dura" espera pela resposta, e isso, apesar de facilitar a nossa vida, a torna mais efêmera. Seu saudosismo me pegou Isolda! Beijo grande!!!!

Eraldo Paulino disse...

Tem um tempinho que to com ideia de escrever uma matéria pro jornal para o qual trabalho aqui no Pará sobre isso.

Teu post me deu mais motivação pra isso =)

Bjs!