10 maio 2013

O mistério das baratas

Pipa/arquivo pessoal
Minha gata, Pipa, é uma caçadora nata. Espere um pouco, a gata não é minha, é coletiva, numa maneira assim figurada de falar, já que gatos são seres, não objetos. Falo “minha” não para coisificar a gata, é para dar um ar maternal à expressão, como quem diz “minha filha”. Gatos não pertencem a ninguém. Um novo começo então: Pipa, a gata da família, é uma caçadora nata. Domiciliada, nem sai para a rua, entretanto, no aconchego do lar, não deixa escapar qualquer tipo de praga que o tente assolar: os besouros, as lagartixas, as formigas gigantes voadoras, os grilos e até os escorpiões. 

Sua relação com as baratas, no entanto, é a que mais me chama atenção. Ela quase nunca as mata. E como são muitos os que torcem o nariz para gatos, hão de pensar logo que eles preferem pôr o adversário (se é que barata é adversária de gata) numa quase-morte para serem mais cruéis  Eu, por outro lado, conheço minha Pipinha e sei que não é nada disso. É claro que fica martelando: por que diabos ela não as mata? Deixa as bichinhas a noite toda de cabeça para baixo num debater-se que dura até o outro dia quando o povo da casa acorda. Com besouros, lagartixas, formigas e escorpiões ela é implacável, não tem conversa que dê jeito. Ora, pois: qual seria o mistério das baratas? 

Fui pesquisar um pouco sobre esses seres horripilantes. Encontrei as coisas mais bizarras possíveis, e em publicação de renome. Algumas são impronunciáveis, mas, vou pronunciar mesmo assim: além de “morder” seres vivos – especialmente enquanto eles estão dormindo – há relatos de baratas que comem cílios! Achou pouco? Sua dieta inclui leite seco da boca dos bebês durante o sono!! Aguenta outra? Podem sobreviver até um mês sem a cabeça!!! E se alguém, como eu, joga as baratas no vaso sanitário e dá descarga (por total nojo de lidar com a gosma branca que fica depois de uma pisada), só mais uma: elas são capazes de resistir horas sem oxigênio. 

Dito tudo isso, e foi pouco, agora sei: não é piedade da minha pobre Pipa diante das baratas. Ela as mata, é claro que mata! Para defender a moral, o lar, a família, o bebê. Mata e se certifica que foi uma morte bem “morrida”. Só que as baratas – ah, as baratas! – não existem dados científicos sobre o assunto, porém, já me convenci de que elas absurdamente ressuscitam.

4 comentários:

Fabiana disse...

Odeio baratas com todas as minhas forças! eca!

Anônimo disse...

Acho que Pipa tá certa.
Eita gata inteligente!
Tem que matar bem matada
Pr'ela morrer realmente!
Ressurreição...(tu duvidas?)
Se gatos têm sete vidas,
Baratas de mil pra frente...

Um abraço do Pajeú, pra você, Júlio e Elmar, e um beijo em Bento! (Dedé Monteiro)


Rafael Belo disse...

ahh baratas elas são hydras mata um ela vira douas, quatro e por aí vão rsrs muio bom Is cada vez melhor saudades

Helena Frenzel disse...

Cada vez mais convencida: escolha sensata foi a de Kakfa ao usar um inseto (muitos supõem ter sido uma barata, embora o texto original não afirme isso em momento algum) como metáfora para a raça humana. Um amigo cientista já havia me dito: o ser humano passará e as baratas ficarão. Saudade das suas crônicas. Em tempo: Feliz Dia das Mães (atrasado mas ainda valendo). Abraços letripulistas, até!