23 junho 2013

A casa dos 20

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Hoje faço 29 anos. Sei que 29 não é um número marcante e não define uma crise etária, porém, é o meu último estágio na casa dos 20, deve fazer alguma diferença. Ano que vem serei uma trintona e há uns anos atrás essa data parecia absurdamente distante, até duvidei que ela existisse. De qualquer forma, não é uma boa hora para falar de envelhecer. Não existe velho de 30 anos, menos ainda de 29. E antes que os números sufoquem os pensamentos é necessário dizer, embora deteste retrospectivas, que não foi uma década em vão.

Sem essa passagem pela casa dos 20 eu não saberia o que é o amor. Estou falando de amor de verdade, não de amostras grátis. Amor homem-mulher, amor pela vida, amor por um filho. Não fui a criança feliz que sempre disse ter sido - nem a infância foi a minha fase de felicidade imbatível. Apenas agora me sinto pronta para assumir isso. Os vestígios da meninice me fizeram uma adolescente um tanto atormentada e só esta década, que está prestes a ir embora, pode me fazer ver que o mundo não é uma quase-sempre tempestade; a calmaria existe de verdade, e os dias de sol.

Eu nunca mais vou ter vinte e poucos anos, mas não é tão assustador quanto parece. Ainda há muita coisa a realizar; fácil adivinhar que nem tudo caberia nessa pós-adolescência. Meus momentos de prazer, de agora em diante, podem não ser mais parecidos com o que já foram um dia. A cronologia do tempo continuará a correr em contagem regressiva, e me resta o entusiasmo de viver. Portanto, é como se eu acabasse de renascer com a memória anterior intacta: acertos para as boas lembranças e erros para o aprendizado. Assim, na teoria, parece perfeito. Só que cresci a ponto de saber que toda perfeição é aparente.

Continuarei a adorar chocolates, leituras, escritas, bichos, viagens e, em menor intensidade, pessoas. Pretendo me aprofundar na fé; fé do coração sem templos, livros sagrados, palavras de cór, sem religiões - embora toda religião remeta a um estudo cultural incrível. Quero ser mais caridosa, mais tolerante. Manter a simplicidade no pensar e no agir. Participar do crescimento do meu filho ativamente. Ter a capacidade de me divertir todos os dias. E como é tudo tão imprevisível na vida, duvido que consiga seguir essa cartilha.

6 comentários:

Rafael Belo disse...

querida Is. Que maravilha poder contar das nossa maturidades. Maturidades porque sempre acreditei que cada idade tem o momento de sua própria plenitude. É quando a alma chega na idade cronológica do corpo e você pensa finalmente, tenho tal idade. Belo texto Is. Saudades suas. Ah, eu cheguei na casa dos 3.0 em fevereiro a potência só aumenta rs bjs

Helena Frenzel disse...

A maturidade é o melhor presente que o tempo pode nos dar, não é verdade? E como já disse Rosa: o importante é a travessia, e eu digo: mas é bom saber onde se quer chegar. Quando ainda era aluna de ensino médio tive uma professora quarentona que comentou algo que eu jamais esqueci: "A vida começa mesmo é aos quarenta." Parece que é mesmo assim: é uma fase na vida na qual já se teve tantas chances de aprender a ser realmente livre que pouco importa a opinião alheia e só resta, a quem bem sabe, relaxar e aproveitar. Aproveite!

Helena Frenzel disse...

Em tempo: parabéns!

jeremias pereira disse...

Sem dúvida a casa dos 20 é uma escola para toda a vida, bem em novembro chego aos 29, as vezes me sinto velho, outras uma criança.
Umas das coisas que mais marca nossa vida nessa fase sem dúvida são os amores, as decepções, mais sem elas a casa dos 30, seria uma droga, pois com o tempo ficamos mais chatos e gostamos menos das pessoas.Não quero outra idade senão a que tenho hoje.Parabéns Isolda, seus textos são ótimos.

monica mosqueira disse...

"pode me fazer ver que o mundo não é uma quase-sempre tempestade; a calmaria existe de verdade, e os dias de sol."

monica mosqueira disse...

"Assim, na teoria, parece perfeito. Só que cresci a ponto de saber que toda perfeição é aparente."Muito bom voltar depois de um tempo e ler coisas assim..abrçs