15 setembro 2013

Antes

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Antes de ser mãe eu acreditava que, quando o bebê chegasse, continuaria sendo a mesma pessoa de sempre, mas com um filho do lado. É claro que a maternidade, de alguma maneira, mudaria minha rotina, reduziria o meu tempo, definiria novas prioridades. Contudo, achei, de verdade, que o básico permaneceria intacto. Qual não foi minha surpresa ao constatar que as coisas mais simples da vida - daquela antiga vida - como ler um livro, tomar um banho de 10 minutos, ir ao cinema (etc. etc. etc.) entrariam para o hall de dificuldades.

Para escrever um texto sofrível como esse, por exemplo, levei dias, interrompida entre choros, gritarias, falas de brinquedos/desenhos animados e outra infinidade de coisas. É claro que também me interromperam lindos olhares, gargalhadas inesperadas, pedidos para brincar e carinho. Acontece que inspiração e caos nunca foram uma combinação para mim - geralmente a inspiração vinha quando o caos já tinha ido embora. Talvez agora eu aprenda produzir sensivelmente com barulhos, pausas, beliscões e dedos na tomada. Ou talvez passe ainda mais tempo sem ler, escrever, blablablá.

Ser mãe é virar um pouco máquina. Deitar e levantar no mesmo horário. Aproveitar a soneca do bebê para fazer tudo em casa e depois, quando ele rapidamente acordar, perceber que ficou faltando escovar os dentes, tomar banho e pentear os cabelos. É muito feio admitir uma mudança brusca nos hábitos de higiene? Bem, virei máquina, esqueceu? E o que mais me espanta é que ainda tenho coração.

Coração para desejar outro filho, que também vai se atirar da bacia enquanto tento um banho duplo decente. E também vai teclar palavras indecifráveis se tento escrever. E também vai rasgar meus livros preferidos. E também vai acordar cedo demais para andar de bicicleta. E também vai fracionar meu sono noturno em até seis vezes sem juros. E ainda vai me fazer abandonar um texto assim, de qualquer jeito. 

7 comentários:

Helena Frenzel disse...

Bem-vinda ao time! É isso mesmo, você não está só. Mas quer saber de um segredo? Quando nos espantamos eles já estão indo para a escola, de tão rápido que passa todo esse aperreio, o segundo filho é mais tranquilo, pois nem tudo será tão novo assim. Eu escrevo quando minha filha dorme um pouco depois do almoço, uma hora por dia é o máximo de tempo que consigo para mim, mas não me arrependo, e tenho conseguido fazer tanta coisa, depende de organização, mas ainda não priorizei escrever um texto a respeito, mas não se afasta muito do seu não, incrível! Romantismo na maternidade só para quem tem um exército de babás, mas também não poderá reclamar mais tarde de não ter presenciado o primeiro sorriso, o primeiro passo, o primeiro blábláblá. Na verdade, sou muito grata por esse privilégio de s(ofr)er mãe! Até a próxima, beijão!

Marcio Alves disse...

ser mãe foi um presente que Deus te deu.

Ludmila disse...

Acho o amor incondicional mãe/filho uma coisa meio surreal. Acho que só tem dimensão quem experimenta. Por enquanto, não consigo me enxergar como mãe... Mas acho que ninguém se imagina a priori. Não até ter o bebê nos braços...

Voltei a te ler, andava meio negligente com escritos e leituras :) ótimo texto e bem escrito como sempre!

Isolda Herculano disse...

Que saudade de dialogar com vocês! Abandonar isso aqui é me abandonar um tantinho, tinha que voltar correndo, Helena. No meu caso, entendo que a poeira está baixando, a nebulosidade era mesmo passageira. Obrigada pelo carinho de ainda estar aqui.

Isolda Herculano disse...

Com certeza, Márcio. Ser mãe, inclusive, fortaleceu minha conexão com o divino.

Isolda Herculano disse...

Lud, como a gente se lia, hein? Bom reencontrar você aqui também. A casa é só pó e poeira, mas comecei a sacodir, puxe a cadeira.

Rafael Belo disse...

É Is! Se adaptar a novas formas. Sua visão também já não é a mesma e creio que haja juros sim rs. bom. saudades boa semana querida.