06 março 2014

A televisão sem coração

Google Imagens

Vejam as coisas como são. Em algum momento da vida, que me parece tão próximo para  chamar de passado, tive a convicção de que um aparelho de TV no quarto era algo realmente danoso. À inteligência,  à intimidade,  enfim. Ainda acho essa ideia útil, mesmo que não a pratique e já tenha que conviver piedosamente com smartphones e tablets na cabeceira.

Entre meus argumentos para que a televisão ficasse da porta para fora estava, além da programação de péssima qualidade, que persiste, a tendência humana de confundir atração televisiva com companhia, que persiste ainda mais. Sendo assim, a TV continua a ser o companheiro imediato dos solitários, o terceiro elemento no matrimônio chato, a conversa leve antes de dormir, e assim vai.

Meu fillho de um ano vê televisão com a atenção de um adulto, tem seus canais e programas favoritos e compreensão para alguns comandos do controle remoto. Isso é uma aberração. Não me orgulho de usar o recurso como babá, por outro lado, não vejo problema em admitir que não sou a mãe perfeita que a TV vende e eu desconfio que nem exista. O filho perfeito também é invencionice. 

Mas, tudo o que disse até agora foi para resumir o sentimento de paz que senti ficando, involuntariamente, sem TV no quarto por uns dias. Houve silêncio como nunca, e calma para pensar coisas impensáveis. Dormi mais cedo, pulei mais rápido da cama ao acordar. Então, o aparelho ressurgiu melhor do que antes e agora imponente, olhando do alto, como quem manda na situação. Refizemos o casamento de conveniências. E a paz voltou a ser uma utopia para quem sabe um dia.

2 comentários:

Helena Frenzel disse...

Olá, Isolda. Estive aqui outro dia, li o texto mas não tive tempo para comentar. Não gosto de comentar com pressa (nem precisamos fazer isso, né?), de modo que agora voltei com tempo e com gosto. Essa questão da TV... no Brasil é mais complexa por conta do papel que o televisor tem na cultura do brasileiro. Minha filha começou a ter contato com telas de TV e computador a partir dos dois anos, mas eu controlo o que ela vê, e o tempo, para isso os DVDs muito bem se aplicam (sob protestos dela é claro, pois se ela pudesse passaria o dia inteiro diante da tevê). Sei e não condeno as mães que recorrem à tevê como babá, faço isso de vez em quando, se bem que evito ao máximo. Minha filha está com quase três anos e só permito que ela veja, no máximo, 2 horas e meia de vídeo por dia. Salvo exceções como doenças e dias chuvosos, quando não se pode sair, aí não tem jeito. Bom, mas eu também não curto muito tevê e desde que me tornei mãe, se tenho a felicidade de ter uma pausa para fazer o que eu gosto, não o que eu tenho de fazer, pego um livro e leio, leio muito para ela também, a qualquer hora do dia e em qualquer lugar, e ler tornou-se um hábito já para nós duas. Sim, só para compartilhar, vice? Não é conselho nada disso pois não há receitas para a vida, isso é o que ela tem de melhor, eu acho! Saudade dos seus textos, moça, mas eu sei bem como é vida de mãe. Um abraço!

Isolda Herculano disse...

Helena, desconfio que sua filha seja um anjo! Beijos, querida.