25 abril 2014

Menos selfie, por favor!

Google Imagens

Acredito que ainda existe gente que não está atualizada com o termo selfie, a crista da onda nas redes sociais. É usado para aqueles retratos de si mesmo, embora possa ser coletivo quando o fotógrafo tem companhia. Outro enlatado americano para o nosso cardápio tupiniquim. Eu não poderia deixar de fazer um comparativo entre a explosão dos selfies e a cultura do individualismo que vivemos e repassamos aos nossos filhos, inconsciente ou não. Sei que corro um tremendo risco de estar sendo chata. Mas, como é bom correr riscos. Lembra?

Pensar coletivamente nem sempre é possível, em especial, porque nem sempre queremos. Dá mais trabalho, pois já estamos habituados a acreditar que o prazer do individual é mais prazer. Isso serve para desde comer uma panela de brigadeiro sozinho até fazer uma viagem que ninguém fez, ter um carro que poucos têm, comer em um restaurante antes de qualquer outro membro do seu círculo social virtual. E tudo vai ficando com aquele gostinho de exclusivo - pra quê mais?

A maioria dos selfies tem um pano de fundo. Ora, não se trata de mostrar uma cara lavada. E sim, uma cara lavada acordando tarde em uma paisagem paradisíaca. Não é apenas uma rosto cansado; é um rosto cansado depois de malhar na melhor academia da cidade. Não é mostrar uma nova maquiagem, é a festa badalada, são os amigos bonitos. Antes das redes sociais, inclusive, não dava para imaginar que no mundo havia tanta gente bonita. Pelo menos nas fotos de perfis. A disputa é acirrada e, às vezes, a impressão que há é que as vidas são todas iguais, por mais esforço que se empenhe em parecer diferente.

Existem vários exemplos de selfies coletivos em que apenas a pessoa que publicou o clique saiu bem. Outras aparecem de olho fechado, algumas deformadas pela captura rápida, com a boca aberta demais etc. É claro que todo mundo quer sair bem na foto, contudo, vale sair bem quando o entorno sai mal? Vale se dar bem na vida enquanto todos ao redor - identificados com a legenda de "amigos" - estão numa pior? Não dá para generalizar, mas fico transferindo essas situações do virtual para o atual que é para achar motivos de desejar um mundo com mais amor e menos selfie, por favor!

5 comentários:

Rafael Belo disse...

entro no coro: menos selfie por favor. Mito bom Is bem parecido com o que penso! muito egoísmo capitalizado.

Helena Frenzel disse...

O que eu acho mais interessante mesmo é que boa parte das pessoas que escrevem posts criticando o egoísmo, muitas vezes ignoram até os comentários que recebem nos posts, pois o que importa são os números. Não parece ser o caso do seu blog, por isso sempre retorno. Não é o caso do meu também, mas não estou reclamando de poucas visitas ou indiretamente deixando aqui um pretexto para que alguém sinta-se atraído a visitar o meu blog, é apenas um comentário, uma observação. Uma senhora escreveu certa vez um post reclamando de ter de viajar de avião quando há crianças de colo e eu deixei um comentário apenas lembrando que crianças todos já fomos e se tivermos sorte, seremos velhos um dia. Ou seja: colocar-se na pele dos outros é sempre difícil. Acho que ela não gostou do meu comentário, considerando o teor do post que se seguiu. Também não tenho intenção de voltar mais lá. Interessante que ela sempre prega a velha idéia de que tudo está interligado, de que o que fazemos aos outros fazemos a nós mesmos e nas pequenas atitudes é que pegamos as grandes mentiras, a imagem que algumas pessoas insistem em vender de si mesmas, falsas muitas vezes e logo contraditas pelas ações da vida real. Esta semana vi uma pergunta lá no face: uma pessoa dizia não entender como o mundo continua uma merda se todo mundo, nas redes sociais, é bom, bonito, gosta de bichos, é tolerante e aceita a opinião alheia, todo mundo é zen. Dá vontade de rir. Por vezes eu escrevo a respeito e tento me policiar para não fazer igual, mas se consigo ou não, aí conto com as observações dos amigos (da vida real) que me ajudam na jornada. Abração, Isolda, tudo de bom! Neste sentido: os selfies são até positivos, pois retratam a face real das pessoas.

jeremias pereira disse...

Parece haver uma competição desenfreada de tentar sempre ser alvo das atenções, se você não mostra o que tem feito, provavelmente você não tem "vida social", você é o que seus auto retratos mostram no segundo plano. A ondinha se estende para as fotos dos pés na praia com o mar ao fundo, da mesa cheia de bebida, dos eventos que participou,...

Triste realidade.

João disse...

Apoio qualquer recurso ou artifício utilizado em prol de aumentarmos o combustível do nosso amor-próprio.
Bato palmas pros smartphones, que nos permitem inverter a câmera do celular e tirar fotos de nós mesmos.
Acredito piamente nos selfies, defendendo-os até a morte.
Quando alguém se permite fazer um selfie, mostra libertação, um passo em direção ao amor-próprio. Se liberta do outro que faria a foto, se liberta dos preconceitos, da falsa modéstia e do medo do julgamento alheio. Sim, perde-se o temor do ridículo - passo gigante para alcançar a autoestima desejada.
O selfie é livre, descolado por natureza e permite ao modelo, o maior interessado, escolher angulos melhores, corrigir defeitos e imprimir sorrisos, caretas ou mesmo sensualizar pra geral. O selfie reflete o melhor de cada um. Ele carrega nele a energia melhor de cada um.
É o espelho que abastece a autoestima e, por consequencia o amor.
Amor-próprio maior, maiores as chances de amar mais e melhor alguém. Melhores ainda as chances de felicidade.
Então selfie é clichê?
Sim. E eu, pobre mortal, não tenho mais a menor pretensão de fugir dele, do clichê. E nem dele, do selfie.
Mais selfies, por favor.

Isolda Herculano disse...

Obrigada pela troca de opiniões, pessoal. Escrever é uma conversa que me deixa, às vezes, trocar ideia apenas com meus fantasmas, mas também pode me contemplar com o prazer da companhia.