07 dezembro 2015

Clube dos sofredores felizes

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Será que todas as pessoas sofrem? Eu espero, com sinceridade, que sim, pois o sofrimento deve ser das condições que mais iguala todos humanamente. Então, prefiro imaginar que todo mundo sofre e, por mais que tente a qualquer custo encarar todas as situações sem julgamento, sempre vou ter um olhar desconfiado sobre aquelas pessoas que aparentam jamais sofrer. Não sofrer, aliás, parece coisa para rochas, não para gente. 

Uma vez, faz alguns anos, conversando com um cego, ele me disse: "as pessoas acham que eu sofro por ser cego. De jeito nenhum! Eu sofro é por ser gente. Não tem tanta gente que não é cega e sofre também?" Tenho a impressão de que nunca vou esquecer o que me falou Edmilson, é esse seu nome. Ele não sabia que é dado ao homem simples o direito de profetizar, mas estava profetizando com a própria vivência. E via com olhos cegos o que muita gente que enxerga não consegue ver. O que talvez eu mesma tenha demorado a perceber.

Gosto de imaginar que todo sofrimento tem o mesmo tamanho, por mera dificuldade de estipular uma medida para ele. O que se pode medir é, somente, a circunstância: a morte de alguém querido, a reprovação no vestibular, a saudade da infância. Porém, ninguém, nem o sofredor, conhece a vastidão do próprio sentimento, pode determinar o tempo que ele vai ficar ou definir suas consequências. Não há domínio sobre o sentir - isso é tão devastador quanto mágico.

Aos 31 anos, pode ser que eu já encare o próprio sofrimento como um momento indesviável, uma estação que preciso passar antes do trem seguir. Coisa bem diferente é ter essa percepção racional quando o sofrimento é de quem se ama: um filho, um namorado, um amigo próximo, um familiar. Aí não! E se me perguntam o porquê de sofrer, tantas vezes, ser mais fácil do que ver sofrendo, respondo: eu não sei. A não ser que venha outro cego (pode ser o mesmo!) me ensinar a ver.

6 comentários:

Marina Sérgia disse...

Belo texto, Isoldinha.
Eu acredito que todas as pessoas sofem, porém com intensidades diferentes,a depender da sua capacidade de aceitação, da sua força interior...

Marina Sérgia disse...

Belo texto, Isoldinha.
Eu acredito que todas as pessoas sofem, porém com intensidades diferentes,a depender da sua capacidade de aceitação, da sua força interior...

Jan Ribeiro disse...

Sofrer está sempre dentro das nossas limitações como ser humano. Quando eu era criança sofria por não conseguir/tinha medo de ficar acordada até o dia amanhecer. Eu acha que algo cabalisticamente ruim aconteceria se eu visse o nascer do sol, depois eu descobri que não tinha nada demais. No máximo dormiria mais que o esperado. Quando a gente ultrapassa esse limite do sofrimento percebe, olhando pra trás, que era bobagem e que no fim das contas a gente precisava disso mesmo...

Isolda Herculano disse...

Obrigada, queridas! Entre idas e vindas vocês estão aqui comigo, através desse texto, nem que seja para falar de sofrimento.

Seu medo de infância é um medo meio vampirinho, hein, Jan?! =) Bem, acredito que nem todo sofrimento é bobagem, mesmo depois que passa, mas concordo com você que, uma hora ou outra, a gente percebe que tinha mesmo que passar por ele, e, mais do que isso, sair dele. Vivo.

Beijos!

Leonardo Climaco disse...

Sofro, logo existo! Rs

Leonardo Climaco disse...

Sofro, logo existo! Rs