28 maio 2010

O ex-homem imaginário

Eu estava ali sentada, esperando para ver Affonso Romano. Engraçadas as cismas da vida: desde antes de São Tomé o homem já tinha essa necessidade de olhar para acreditar que a coisa – ou mesmo a pessoa – existe. Comigo, em relação aos que admiro, é quase assim: preciso avistar, pelo menos. Tocar, se possível for. Travar um diálogo, para ser mágico.

Aguardando Affonso entrar no teatro pela coxia – não pela plateia! – acho que me distraí e, salvo engano, foi ele quem me viu primeiro. Claro que eu não era mais especial do que os outros. A diferença foi apenas o fato de ocupar lugar na primeira fileira de cadeiras. Ninguém fez isso, só eu. Sem nenhuma timidez e até um pouco de deboche, admito. Queria debochar das pessoas que tiveram vergonha de expressar, na geografia do corpo, o quanto gostariam de ser vistas por ele e não apenas vê-lo.

O melhor da festa, e falo bem particularmente, foi quando Affonso sentou do meu lado direito. Feito alguém comum que se esqueceu de apagar a luz antes de sair do quarto, fez palavras cruzadas até o sono bater ou tomou um taxi sem dinheiro para tomá-lo. Perguntou sobre mim, o que eu fazia, de onde tinha vindo. Respondi tudo aquilo com realidade e de minha verdade veio um monte de risos (alguns meus, inclusive). Fiquei pensando: deveria tê-lo conhecido antes, em outras palestras, outros carnavais. Mas o tempo de espera até que foi generoso e trouxe a compensação naquela intimidade rápida de alguns minutos.

O poeta, enfim, subiu ao palco e contou histórias de se bem ouvir. Fiz umas anotações inúteis, imprecisas, a troco de nada. Não imagino que um dia precisarei recorrer a elas enquanto tiver memória. E o que ficou foi a sensação de que eu era alguma coisa menos antes de conhecer Affonso, de ver Affonso e acreditar que, para além do meu imaginário, ele é real.

*Imagem: Affonso Romano de Sant'Anna e eu - toda tiete - na abertura da II Jornada Sesc Alagoas de Literatura, Teatro Jofre Soares, Sesc Centro, Maceió, na última terça-feira (25). Ah, não tenho ideia de quem fez a foto.

7 comentários:

Vítor Luz disse...

O que eu mais Gostei foi da foto, cabelo lindo, sorriso lindo, toda linda, gostei da roupa também =)) Linda Linda Linda \0/

O texto é apenas um detalhe!

Saudades de vc xuxu!

Rafael Belo disse...

Que tenacidade que voracidade que graça bela... Sempre que conhecemos alguém -ainda mais de talento assim - crescemos um pouquinho mais.beijos e ótimo fim de semana querida e aquele cheiro :D

Clauderlan Vilela disse...

Deve ter sido bem instigante ser a única a sentar na primeira fila... E o prêmio, além de sua presteza, veio a bom grado. Parabéns pela atitude, Isolda!

Jamylle Bezerra disse...

Nossa, imagino a sensaçao de felicidade!!!! :):):)

A vida às vezes nos prega boas peças né?? Feliz por vc!!!!

Beijos

Eraldo Paulino disse...

Primeira impressão a ver a imagem: Você é mais linda do que eu imaginava.

Impressão final: Na geografia do meu corpo, a capital do meu país certamente é o sorriso de admirador (teu) que ficou...

Bjs que tietam pessoas reais!

Anônimo disse...

Nossa, Isolda! Deve ter sido uma emoção vê-lo assim tão de pertinho!Eu, desmaiaria! É por isso que sempre que tenho uma oportunidade prá vê-lo, invento sempre uma desculpa! Acho que ainda não me sinto preparada! Bjos
Diana

Anônimo disse...

Isolda, sempre que posso venho aqui prá ler seu texto maravilhoso. Sei bem o que significa estar diante do poeta Affonso... é uma tremedeira, um não acreditar e um entrar em extase! Quando ele começa a falar com aquela voz maravilhosa, é outra estória ... Bjos
Diana